sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Este ano quero Paz no coração...

Paz! É o que desejo a todos para 2011! O resto? Hum... o resto é consequência da sua Paz com você e com o mundo!

FELIZ 20!! (Com muitas exclamações!)

Onde está o dinheiro? Último Capítulo

Tereza Castanhas despediu de Mário. Ele abriu a porta do escritório e perguntou a ela:
- Você vai levar a sua filha ao aeroporto?
- Não. Ela vai de Táxi.
- Pois meu faro de detetive não me engana... Nós vamos até lá. No caminho eu te explico.
                                  ***
Linda pediu à empregada que pegasse a mala e, mais uma vez, respondeu ao noivo que precisava sair um pouco daquela mansão. Precisava viver o seu luto. Silas não acreditava. Pediu que a levasse, ela já tinha pedido um táxi. O mordomo Tonho gritou pela menina. O táxi havia chegado.
Ela se foi e deu um beijo no rosto do noivo. Menezes, atrás do Silas, deu um tchau com a mão e disse:
- Sentirei falta dela.
- Você ainda aí... o Pangaré?
Menezes não pensou duas vezes e deu um murro no Silas e este caiu no chão. A arma voou longe e Menezes a pegou. Apontando para o Silas, perguntou:
- Onde está o santo oco? Eu sei que você está com ele.
                                                         ***
Quando Lucas chegou ao aeroporto, ele viu Linda esperando por ele em uma loja de livro. Estava com uma única mala.
- Meu amor, cadê a sua mãe?
- Eu menti.
- Como?
- Inventei aquela história para você ter coragem de fugir comigo.
- O que?!
- Eu sei que era isso que você queria...
Linda fica tonta e repara a sua mãe em frente à loja. Ela e o Detetive Mário.
- Mãe?
- Filha como pôde nos roubar? E ainda tem um cúmplice!
Mário sorri. No dia do velório, ele tinha visto a menina com aquele rapaz no portão da mansão.
- Tereza, quando você disse que a sua filha ia viajar, logo eu pensei que ela poderia estar indo com o namoradinho. O romance proibido.

Linda olhou para mãe.
E Mário continuava.
- Assim que eles se despediram e Linda entrou de novo para a mansão, vi o mordomo Tonho atravessando o jardim com um embrulho e entregando para o Lucas...

                                         ***
Menezes seguiu Silas até o seu apartamento de alto luxo. Aproximou-se do seu cofre no escritório e o abriu, tirando a caixa do cofre.
- Abra, Menezes.
Menezes olhou desconfiado para o Silas e abriu a caixa.
-  Hum... Calcinhas... Você é traveco! Bem que eu desconfiava...
- Não idiota... É a minha coleção de calcinhas. Faço coleções ta... É a última moda em Milão... Você estragou tudo seu... seu....
- Fica triste não, são lindas...Olha essa rosinha aqui...

                                            ***
Mário apontou a arma para o Lucas e pediu que abrisse a mala.
Lucas suava frio. Abriu a mala e lá tinha um embrulho.
- Tereza, pegue este embrulho. Ele é seu.
Tereza Castanhas pegou o embrulho e abriu. Era o São José de prata oco. Dentro dele todas as informações da conta onde estava toda a fortuna da família. Lucas começa a ri e dar gargalhadas, enquanto explicava:
- O estúpido do seu marido, Tereza, morreu na hora errada. O filho da mãe acreditava que eu era o seu filho bastardo. Ia dar um belo golpe. Ele teve um caso com a minha mãe e achou que eu era o seu filho. Disse que éramos parecidos. Mas nunca fui filho desse estúpido. – Olhou para Linda, chorando - Maldita hora que me apaixonei pela minha falsa irmãzinha. Queria ela do meu lado... Já o meu “paipaizinho” queria investir em mim e fugir do Brasil. Eu seria o seu único herdeiro. Mas tive pena e tesão por Linda... Queria tê-la. O velho deu-me esse papel com o número da conta, que ele tinha acabado de abrir no exterior, para começar a ajeitar as coisas no exterior. Ele queria sumir da família com toda a fortuna. Mas o velho descobriu tudo antes de morrer e me pediu o papel de volta. Disse que escondera em um local apropriado e se ele abrisse o bico, eu contaria a Tereza que ele teve um amante. E mais... se me mandasse me seguir ou me matar, ele não veria o número da conta nunca mais.
Tereza continuou:
- Meu marido não confiava em mim, deve ter anotado a nova conta nesse papel e para não deixar rastros, deve ter feito uma única cópia.  Foi ai que ele notou a falta do santo e lembrou que ele era oco... Dois mais dois são quatro! Burro ele não era  e me perguntou onde estava, como eu não dei importância, ele disse que guardou a senha da conta no santo. Para não dizer que foi esse ladrãozinho.  Fiquei nervosa e procuramos por toda a parte. Ai ele teve um enfarto e morreu.
Lucas riu.
- Eu havia escondido o santo na sua casa, retardada. Aproveitei o velório para pegá-lo, já que ninguém ia notar meus passos com o defunto fresco na sala.
- Por que num santo? – perguntou Mário
- Eu tinha que sumir com esse papel valioso, mas não podia destruí-lo. Era muito arriscado deixar esse papel a solta e em qualquer lugar. Maldito dia que estava com aquela bermuda sem bolso... Eu não podia andar com ele em qualquer lugar e resolvi esconder dentro desse pequeno santo oco e levar para casa, até conseguir sair daqui com a Linda.  No dia do velório, fiz o mordomo me dar cobertura, ia ter a sua grana.
Linda olhava incrédula para o homem  por quem ela estava apaixonado. Não acreditava no que ouvia.
Lucas continuou:
- Aposto que foi o dedo-duro do mordomo que contou tudo para você, Mário...
- Não precisou Lucas. Não precisou.
Um carro de polícia chegou e Mário acenou com a mão. Estavam na livraria.
Linda aproximou-se da mãe.
- Meu vôo é daqui há pouco. Eu vou mãe... Agora mais do que nunca preciso dessa viagem.
Antes de ir para a sala de embarque, aproximou-se do Lucas (que já estava algemado) e deu um tapa no rosto do rapaz.
- Eu acreditei em você... Mas saiba que eu não perdi nada. Só adquiri experiência para não cair em outra história como essa... Agora você... Não se levanta nunca mais... Nunca mais.
                                     ***
Mário entrou em seu escritório e viu Menezes o esperando, enquanto tentava matar outra barata.
- Menezes, olha o nosso dindim neste cheque...
Menezes levanta de imediato e tropeça na cadeira e cai. Levanta-se e pega o cheque.
- Salvou as nossas vidas...
- Menezes, vamos depositar logo no banco, antes que ele vá parar em um santo oco.
- Ou numa caixa com calcinhas...
- Como?
- Mário, no caminho eu te explico...

                                                F I M

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Caminhar contra o vento

Para você, meu querido leitor, os dois primeiros capítulos do meu livro infanto-juvenil "Caminhar contra o vento". Espero que goste!

Caminhar contra o vento

André tentou adiar a sua ida ao banco, mas não conseguiu. Assim que o relógio bateu 10 horas, lá estava ele saindo de sua casa, na Rua Jornalista Alexandre Lana Lins, para ir ao banco, que ficava a quinze minutos dali. Distraído, percebeu que já estava na fila, aliás, uma enorme fila e havia se esquecido de levar um livro ou uma revista para ler durante a espera. Mas passou o tempo observando as pessoas... Boys, idosos, donas de casa, executivos, jovens... Jovens? Que linda morena é aquela que está a “três pessoas” na sua frente? Poxa, linda mesmo. André não conseguia tirar os olhos dela e ela começou a perceber. Viu que a moreninha tinha nas mãos um carnê e parecia que era da faculdade. Devia ter uns 19 anos e era, realmente, linda. Os minutos foram passando e a moreninha chegando ao caixa. O que seria ruim, pois logo, logo ela iria embora e, ao mesmo tempo, muito bom, pois estava chegando a vez de André e ele sairia daquele martírio. “Estranho...”, percebeu André, “este banco não tem a porta giratória...”
- Mãos ao alto! Isto é um assalto! Ou melhor, todos no chão, senão levam bala.
Era um assalto e todos estavam apavorados, no chão. Tudo passava muito rápido e a sensação era de que nada daquilo estava acontecendo. Os cincos assaltantes renderam os guardas e os caixas e pegaram todo o dinheiro, isto em poucos minutos. André ficou debaixo de um assaltante e notou que a calça do sujeito estava furada. Desviou o olhar e percebeu que ao seu lado estava à moreninha, rezando baixinho. O rapaz não pensou duas vezes e pegou na mão da moça. Ela aceitou. Também, fazer charminho àquela hora...
Quando os assaltantes foram embora, os clientes do banco estavam desnorteados. Passavam mal e agradeciam por estarem vivos. André ajudou a moreninha a se levantar.
- Tudo bem?
- Sim...
Um silêncio. André se apresentou.
- André, prazer!
- Regina...
André sorriu e perguntou à moça se o acompanharia numa lanchonete ali perto. Ela aceitou. Tomando refrigerante e recuperando-se do susto, Regina reparou que André estava com as mãos trêmulas.
- Como está difícil com essa violência...
- Pois é. Não temos mais paz. Você está melhor?
- Sim e você?
- Um pouco assustado, disse André.
Regina sorriu e André também. Que maneira mais estranha de convidar alguém para tomar um refrigerante.
- Que curso você faz? – perguntou o jovem
- Meu Deus! Tenho que pagar a faculdade! – Regina se lembrou.
- Eu também...
- Faço Letras, e você?
- Jornalismo... - disse o jovem.
- Quero fazer! Vou terminar Letras e partir pro jornalismo... Gosta?
- Sim.
- Que sim devagar...
- Tem seus altos e baixos, mas é um curso muito bom.
- Letras também... Mas o meu sonho é seguir o jornalismo!
- Vamos ser colegas...
- Você mora aqui perto?
- Rua Jornalista Alexandre Lana Lins, e você?
- Na rua acima... Minha vó mora na sua rua. Uma rua bonita, né? Só tem casa, bem arborizada...
- Eu gosto muito, Regina. Nasci lá... É onde moro há 25 anos.
- Parece que você tem mais. Daria uns 28 pra você...
- Legal... – André sorriu amarelo e Regina percebeu a gafe.
-Desculpe, mas é verdade. Não fique triste, você está bem... - e riu novamente.
André notou o sorriso lindo da Regina. Cabelos pretos compridos, ondulados, uma boca carnuda, altura mediana, olhos pretos como jabuticaba e um corpo lindo.
- Bom, tenho que ir. Vou pagar essa conta depois, hoje eu não entro mais naquele banco.
- É... Vou pagar a minha depois também. Quer anotar o meu celular, ou seu namorado vai se importar?
- Não, ele não se importa não...
Que balde de água fria. Ela tem namorado.
- E você, tem namorada?
- Paqueras...
“André, que ridículo, mentindo...”, pensou ao dar a resposta.
- Bom, anota aí...
André pegou o celular e anotou o número. Sem que ela percebesse, colocou na sua agenda “Rê, a morena”.
***
Na Rua Jornalista Alexandre Lana Lins tem uma casa com um enorme pé de romã. Fica depois da famosa sorveteria, onde é o encontro das famílias e dos jovens daquela região. O pé de romã cobre a janela do quarto de Augusto, amigo do André e apaixonado pela sua namorada virtual: a Anjinha. Lá estava ele, conversando com ela pelo Messenger. Teclavam há mais de um mês.
- Ei, que dia vc vai me mostrar a sua foto?
- Vc disse que aparência física não interessa.
- Disse, mas a curiosidade é maior. Vc está vendo a minha foto.
- Pq vc quis mostrar.
- Tá certa... E que dia nós vamos nos encontrar?
- Hj vc tá me cobrando, hein mocinho?
- Estou doido pra te conhecer...
André joga uma semente de romã pela janela do quarto do Augusto e acerta o seu rosto.
- Augusto!
- Tá doido, André... qua...quase que acerrrrta o meu computa....dor. - Augusto é gago.
André aparece na janela entre as folhas do pé de romã.
- Que tá arrumando?
- To con-conversando com a Anjinha...
- Rapaz, estava no banco agora...
- Vou só me despe-pepedir da Anjinha...
- O banco foi assaltado.
Augusto levou um susto.
- Ma-machucou-se?
- Não... Mas conheci uma linda moreninha que machucou o meu coração.
Augusto fez uma careta e colocou a mão na testa... DÃN!!!
- Vou nessa. Você vai à sorveteria mais tarde?
- De-devo. Aqui... pensou na nossa ban-banda?
- É isso que quero acertar com você e com o resto do pessoal.
***
Victor estava ouvindo Jota Quest no seu quarto, com um fone de ouvido, um microfone dublando a música e tirando alguns sons do seu violão. “Quero um amor só meu...” Em um momento, parou a dublagem, abriu a gaveta de sua escrivaninha e viu a foto de uma mulher. Ao lado dela, o seu amigo Humberto, o galã da turma. Como era engraçado ver a turma chamando o Humberto de “Thiago Lacerda” da rua, mauricinho do bairro e outros adjetivos. Mas Humberto era um grande amigo, com pais separados e um carinho enorme destinado à sua mãe, Tereza. Victor se sentou na cama, pegou a foto e observou os dois. Suspirou fundo e beijou a foto. Completaria 19 anos no próximo mês e faria uma super festa, mas a turma queria a presença só dos amigos. Nada de pais. Mas o Victor queria...
Queria a presença de Tereza. Fazia questão de dançar com ela e vê-la a todo o momento. A diferença de 20 anos não assustava o rapaz: o que Victor realmente queria era beijar os lábios de Tereza. O som alto do seu quarto não deixou que ele ouvisse Humberto entrando.
- Que isso, Victor?
Victor se assustou e, rapidamente, jogou a foto embaixo da cama.
- Beijando foto?
Humberto se agachou para procurar a foto.
- Agora eu quero ver quem você estava beijando. – Ele riu. – A turma vai adorar esta história.
- Humberto... pô, você não vai invadir minha privacidade.
Humberto morria de rir.
- Você vai me desculpar, amigo, mas essa eu vou ter que saber...

CAPÍTULO 02
Humberto passeou com a mão sob a cama e pegou algo estranho e vivo. Tirou a mão rapidamente e viu uma barata na sua palma. Sacudiu a mão e, com uma cara de nojo, foi ao banheiro lavá-la. Victor tirou a foto de debaixo da cama, e guardou-a na sua escrivaninha. Depois foi atrás do amigo furioso.
- Humberto, por essa eu não esperava... Você ia invadir a minha privacidade!
- Colé! Somos amigos há mais de dez anos... Que nojo! Você não limpa esse quarto não?
- Não enche... O que você quer? Entra no meu quarto sem bater...
Humberto ri.
- Você tá fresco hein? Vim te chamar pra irmos à sorveteria hoje à noite. O André vai falar da banda que quer montar.
Victor se entusiasma.
- A minha música vai estourar...
- A letra pode ser sua, mas a melodia é minha!
Os dois riram. Era um projeto muito legal. Uma banda com músicas do estilo pop rock. André no vocal, Humberto na guitarra, Augusto na bateria e... E no teclado?
- Pensamos na Joana...
- Joana?
- O que tem? Ela é tímida sim, tem aqueles aparelhos, usa uma roupa do tempo do “Menudo”, é toda atrapalhada, mas... Mas sabe tocar teclado muito bem.
Victor coçou a cabeça.
- E o Augusto sabe disso?
- Por quê? Ele ainda tá brigado com ela?
- Os dois não se falam pra nada, vivem brigando um com outro...
Humberto riu. Isso acabaria em casamento. Ele olhou pra escrivaninha e ameaçou abrir uma das gavetas. Victor pulou na frente e barrou o amigo.
- Victor, eu ainda vou descobrir quem é essa moça da foto... Pô, beijando foto? Vai beijar uma mulher de verdade!
Quando a noite chegou, os quatro amigos estavam sentados em uma mesa da sorveteria. Lá também vendia hambúrgueres, refrigerantes e outras guloseimas. André montou toda a estrutura da banda no papel e foi detalhando para os amigos. A primeira coisa a fazer era conseguir patrocínio para a gravação de um CD demo e eles esperavam conseguir isso na festa de aniversário do Victor. Reuniriam os amigos, fariam uma festa junina e pediriam a colaboração de todos.
- Por isso que eu acho que deveríamos convidar os pais. – ponderou Victor.
- E como vou agarrar a Patrícia? –perguntou Humberto.
- E como vou beijar a Luiza? – questionou André.
- Co-como vou bei... beijar a Suza-zaninha? Ah, vocês sabem quem é...
Victor tentou convencer os amigos.
- Eu libero o meu quarto... Vocês dizem que vão mostrar a minha coleção de... alguma coisa.
- Sei... Vou mostrar a foto que você estava beijando.
- Que foto, Humberto?
Humberto pegou um guardanapo e começou a beijá-lo, imitando o amigo.
- Ah, André... Eu peguei o Victor beijando uma foto... Todo apaixonado!
Augusto gargalhou forte, deixando o amigo sem graça.
- Querem saber? A festa é minha e vou convidar todos os pais, sim!
Humberto tomou um gole de refrigerante.
- Você ta afim de alguma coroa, cara?
O coração do Victor disparou: “Será que a manota tinha sido tão grande assim”? Agora ele estava na defensiva. “Que coroa, o quê...” É que ele queria fazer uma festa que reunisse todas as famílias, uma confraternização em pleno mês de junho. Uma super quadrilha! E com mais pessoas, mais grana nas barraquinhas...
- O Victor tá certo... – Disse André – os nossos pais precisam conhecer o nosso projeto e nada melhor do que uma festa.
- Comeu titica?
- Humberto, pensa melhor... Precisamos da grana, cara.
- Oi, gente...
- Joana...
Augusto levou um susto. Quem tinha chamado aquela garota chata para a reunião? Todos cumprimentaram a menina e Augusto se fingiu de surdo-mudo. Ela se sentou ao lado do André e este apresentou o projeto para a amiga.
- É isso. Se você topar, o teclado é seu.
- Topo! Vai ser muito legal participar de uma banda... Poderemos tocar em asilos e creches.
Augusto criticou a idéia.
- Bo-boa... até arrrrrepiei...
Joana não deu ouvidos e perguntou:
- E como a banda vai se chamar?
- Os tra-trapalhões e a no-noviça – sugeriu Augusto, em tom de ironia.
Os três olharam para o rapaz e ele se levantou, pedindo um hambúrguer para levar pra casa. Joana sorriu e esperou a resposta dos meninos quanto à questão do nome da banda.
- Não pensamos nisso ainda...
- Vamos pensar... Mas tem que ser algo bem original.
Joana ficou pensativa e, olhando para o Augusto, enquanto este pagava o lanche, sugeriu:
- Que tal uma homenagem àqueles desenhos animados antigos, dos anos 60 e 70, que ainda são muito famosos?
Humberto ficou curioso.
- Qual desenho?
- Podemos utilizar um personagem...
- Que personagem, Joana?
Joana disse em um bom tom de voz:
- O Gaguinho... Vocês se lembram do Gaguinho? Gaguinho, a Banda.
Augusto não acreditou no que ouviu e deixou o sanduíche cair no chão. Isso foi um bom motivo para a gargalhada geral da turma. Porém, Joana mudou sua expressão para séria e pensativa. O seu olhar estava fixo em uma janela no segundo andar de uma das casas da rua. Os meninos olharam para a mesma direção: era o quarto do misterioso Reginaldo. Um jovem que havia se mudado há dez anos para a rua e nunca saíra daquele quarto. Talvez fosse um pouco de exagero, mas o garoto só ia à escola e, mesmo assim, de carro, com um motorista particular. Era o riquinho daquela rua. Pelo menos, tinha um padrão de vida melhor do que o dos vizinhos. Já circulava uma lenda de que ele era avesso ao sol, à lua e até ao sereno. Devia ter algum problema de saúde. As crianças o chamavam de lobisomem, vampiro etc. Mas Joana ficava instigada com tanto mistério. O que, afinal, Reginaldo tinha? Que mistério ele guardava? A cortina do quarto se mexeu e a turma ficou apreensiva. Será que ele ia aparecer?
- Você já viu o rosto dele? – perguntou André.
- Nunca, e vocês? – respondeu Joana.
Todos balançaram a cabeça, negativamente. Atrás da cortina, percebia-se a sombra de um rosto e o vento, naquele momento, fazia um barulho intenso. Os galhos das árvores balançavam fortemente.
- Muito estranho...



***
No outro dia, André se levantou cedo para a entrevista de um estágio na redação de um jornal. Seria o seu quarto estágio desde que ingressou na faculdade. Porém, esse seria diferente, já que o estágio era num dos maiores jornais da cidade. Se ele conseguisse fazer carreira lá, perpetuaria seu nome no jornalismo nacional. Pensava no dinheiro que iria ajudar nos custos mensais e... Ouviu-se uma freada de carro e André estava no chão. Foi uma pequena encostada, mas o suficiente para jogar o rapaz no chão e machucar sua mão. O motorista saiu correndo, desesperado para acudir André. Ajoelhou-se e perguntou em um tom aflito:
- Você está bem?
André leva outro susto. Não era um motorista, era uma motorista.
- Regina?!
Sim, era a Regina!
- André?!
Sim, era o André!

***

Gostou? O livro "Caminhar contra o vento" está à venda no endereço: http://www.clubedeautores.com.br/book/13809--Caminhar_Contra_o_Vento

Nova novela das Nove

E a Rede Globo quebra uma tradição... Não existe mais a "novela das oito", há muito tempo não existia, agora oficialmente. A novela "Insensato Coração" está sendo anunciada como "novela das nove". Enfim, a programação da Globo está mudando sutilmente, devido aos novos hábitos dos telespectadores. O trânsito nas grandes cidades, o horário de verão, internet e TV Cabo ajudaram nesta mudança.

Onde está o dinheiro? Cap.03

Capítulo 03

Mário manda uma mensagem para o celular de Menezes e este estava no seu bolso.
- Como está frio, coitadinho... – dizia Tereza para Menezes, no velório.
Tereza Castanhas chorava e falava baixinho no ouvido do Menezes.
- Merecia estar quente, ardendo na boca do inferno. Pensando bem, ele sempre foi frio na cama.
- Tereza Castanhas, não diga isso... Vá que o homem se revolta e volte.
O celular do Menezes vibra, era a mensagem chegando.
- Jesus!!! Ele deu um sinal... Sinal de vida.
Tereza o interrompeu.
- É seu celular.
Menezes se recompõe e pede licença. Lê a mensagem: “Jacaré no seco anda?”. Ele responde: “No seu, no seu”.
Ele sabia que o seu companheiro estava no velho fusca o esperando. Finalmente, Menezes chega e Mário dá um sorriso.
- Menezes, já sei onde está o pulo do gato?
- Então vamos resolver logo, antes que ele suba no telhado com o defunto.
- Nós vamos abrir duas frentes de trabalho...
- Entendi...
***
Linda encontrou Lucas em um bar no centro da cidade. Lá estava ele, tomando um refrigerante. Ela estava voltando do enterro do pai e estava inconsolável. Aproximou-se do namorado e o abraçou.
- O que você tem Lucas?
Lucas estava chorando.
- Minha mãe está com aquele tipo raro de câncer, mesmo. – chorava.
Linda não esperava por essa. Sentiu o coração bater mais forte... Mais essa.
- Então vamos fazer o que eu já tinha planejado. Nós vamos levá-la para os Estados Unidos. – disse, decidida, Linda.
- Linda, você acabou de perder o seu pai...
- Eu gosto muito da sua mãe. Não vamos perdê-la. Olha, eu vou com você. Invento mil mentiras lá em casa. Mas não vamos deixar a sua mãe morrer aqui no Brasil. – disse Linda.
Lucas abraça a namorada.
***
Menezes estava no seu velho fusca seguindo o carro de Silas. O coitadinho do fusca corria atrás da Mercedes soltando fumaça nas avenidas, ruas e becos. Mas não podia perder o Silas de vista. Esse caso tinha que ser solucionado e assim ele e Mário podiam colocar a mão no alto pagamento. Mas Silas percebeu o velho fusca soltando tiros de fogo no escapamento e resolveu levá-lo até uma favela. Assim que Menezes percebeu que estava em uma rua sem saída, tentou fazer a volta. Mas era tarde demais. Silas o aguardava com uma arma na mão.
***
Tereza Castanhas procurou Mário no velho escritório e ele estava esperando o telefonema de Menezes que não vinha. Mário recebeu Tereza e esta estava mais inconsolável. Agora, por outro motivo... A sua filha Linda estava partindo para os Estados Unidos passar um tempo com a amiga e esquecer a morte de seu pai. Tudo mentira. Estava tentando ajudar a mãe de Lucas.
- Tereza, e que dia a sua filha vai?
- Amanhã. Achei que ela ficaria aqui me ajudando com o testamento e, claro, achar a herança... Meu Deus! Minha vida virou de perna pro ar.
Mário tentava consolar.
- Tereza Castanhas, às vezes a vida muda, da uma reviravolta para melhor. Depois da tempestade vem à bonança. Nunca se esqueça disso.
***
Enquanto Linda arrumava as malas, ela se lembrava dos últimos meses que viveu com Lucas. Nunca esteve tão apaixonada. Era sim um verdadeiro amor. O que sentia pelo Silas era somente uma simpatia, na verdade um agrado para a família. Principalmente para o pai. Mas estava decidida a fazer de tudo para salvar sua sogra. Devia isso ao Lucas, já que ele estava lhe proporcionando o que há de maior nesta vida. O amor.
Mas a família não poderia saber do seu caso com aquele garoto. Principalmente agora que a vida de toda a família estava um tumulto. Assim que colocou a última peça de roupa na mala, ela ouviu Silas lhe gritando. Ela desceu as escadas e viu o noivo com o Menezes.
- Linda, peguei esse pangaré me seguindo.
- Menezes?
Menezes deu um sorrisinho sem graça.
- Este é o detetive que minha mãe contratou. – disse Linda.
- Sim... Eu falei... Mas ele não acredita. – gritava Menezes.
- E por que diabos você estava me seguindo?
- Não estava... Só estava no mesmo caminho que você ia...
- Mentira!
Menezes retrucou.
- Olha cuidado... Andar armado é muito perigoso.
Linda assustou.
- Você anda armado?
Silas sem graça responde que sim. Segurança pessoal.
- Silas, deixa o Menezes ir... Ele já se explicou.
Silas soltou Menezes e foi em direção à moça.
- E agora você é quem vai me explicar... Por que esta viagem repentina?

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Onde Está o Dinheiro? Cap.02

Capítulo 02

Mário e Menezes fecharam acordo com Tereza Castanhas. Iriam achar o Santo oco de prata. E iria, finalmente, devolver toda a fortuna da família para a linda senhora. Aliás, tão linda que Mário não conseguiu tirar os olhos dela. No outro dia, Menezes ria com o desenho da Pantera Cor-de-Rosa, enquanto comia um saco de pipoca. A TV estava alta demais e incomodava o amigo.
- Desliga essa TV. – gritou Mário
- Mário, vem ver... A Pantera Cor-de-Rosa na lavanderia... Muito engraçado.
- Deixa de ser criança... E além do mais eu já visse esse desenho. Vamos para a mansão, o dever nos chama...
- Ah...
- Vamos que eu te conto o desenho todo, Menezes.
***
Para o primeiro dia de investigação, eles foram à mansão dos Castanhas, onde estava ocorrendo o velório do marido, Paulo Castanhas.
Tereza Castanhas antes de entrar na imensa sala da mansão, dizia aos detetives que o marido era um brocha e um estúpido. Quando se aproximou dos amigos e do caixão, jogou-se em cima do defunto.
- Quero ir com ele!!! Meu grande e eterno amor!!!
Uma moça chorava ao lado do caixão. Era Linda Castanhas, a única filha do casal, tinha seus vinte anos. E amava o pai. Como amava... Era uma perda irreparável para ela. Sentiu-se mal e saiu um pouco daquela sala, resolveu dar uma volta no jardim. Sentou-se em um banco e apreciava o canto dos pássaros. Seu celular recebe uma mensagem. “ Amor, estou aqui no portão. Preciso te ver”. Linda sorriu e correu até o portão. Do outro lado, um rapaz em cima de uma moto a esperava.
- Lucas!
- Meu amor, precisava tanto te ver neste dia... Como eu queria preencher a sua dor.
- Lucas, ninguém da minha família pode lhe ver aqui. O meu noivo também está aqui. Vá embora.
- Linda, já disse... Tenho umas economias... Vamos fugir.
- Agora eu não posso. Não posso deixar minha mãe sozinha. E tem outra coisa: papai sumiu com a nossa fortuna.
- Mas você disse que não importava com a fortuna...
- Não importo, Lucas. Mas minha mãe sim... Não posso deixá-la sozinha.
Os dois se beijaram.
- Agora vai Lucas. Senão eles podem nos descobrir...
-Você ainda não terminou com o Silas... Quando vai por um ponto final nisso?
- Deixa esse clima passar... Pelo amor de Deus, Lucas. Perdi o meu pai que tanto amava!
- Desculpa...
***
Mário resolve sair da sala e verificar o cenário do crime. Uma mansão linda, moderna, que colocava no chão as mansões de novelas e filmes que já viu. Repara o belo jardim e escuta uma conversa de longe. Resolve se aproximar. Esconde atrás de uma estátua de anjo e vê Silas ( o noivo de Linda), que já havia conhecido, com o mordomo Tonho.
- Guarde esta caixa com cuidado, Tonho.
Silas entrega à caixa ao mordomo.
- Naquele lugar, senhor? – pergunta o mordomo
- Sim. No meu apartamento, no cofre... Eu não posso sair daqui agora.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Onde Está O Dinheiro? Cap.01

Capítulo 01

Mário tirou o sapato de seu pé e atirou sobre uma barata que caminhava no chão do velho escritório. Um ventilador barulhento e sujo fazia o trabalho de não ventilar e a bagunça na mesa demonstrava total falta de organização. A porta abriu e Menezes entrou com um jornal na mão.
- Mário, precisam de detetives!
- Primeirinha... O último serviço foi seu.
- Agora estão precisando de dois, Mário.
- Dois? Menezes é muita esmola...
Menezes nota a barata morta no velho escritório e resolve ignorá-la. Senta na mesa e pega o telefone onde faltava a tecla zero.
- Se o número não tiver zero, o serviço não é nosso. – disse Menezes enquanto procurava os óculos para enxergar os números do anúncio do jornal.
- Se você conseguir enxergar o número o serviço é nosso... – completou Mário.
- Mário, sabe qual é o seu problema? Você é muito pessimista. Você lembra-se do último caso que tentamos descobrir juntos... Dos dois travestis.
- O que que tem?
- Você ficou tão pessimista que não queria acreditar na sua versão. Versão que iria nos render um bom dinheiro por resolver o caso.
- Menezes, quem iria acreditar que aqueles dois travecos... Com um ( faz o sinal) eram mulheres de verdade.
- Eu. Ficaram muito belas. Tanto que acreditei, que fui pro Motel com ela. E só na hora eu descobri...
- Você é muito burro, Menezes.
- Atendeu... – disse baixinho, tapando o fone do tel.
No outro lado uma bela voz feminina. Tereza Castanhas, ela identificou assim. Precisaria vê-los o mais rápido possível e contar toda a história. Não queria saber quanto os dois iriam cobrar. Queria o mais rápido possível a solução. E logo, ela estava lá, sentada em uma velha cadeira perneta. Alguns livros ajudavam a segurar a velha mobília.
- Bom, o caso é o seguinte... Meu marido estúpido morreu.
- Que Deus dê a honra e a glória... amém! – disse, solenemente, Menezes.
- Que isso? – perguntou Mário.
Tereza Castanhas interrompeu os dois:
- Que o Diabo o receba!!! Filho da mãe... Guardou toda a nossa fortuna em um banco no exterior. A conta, senha, nome do banco estavam em um papel. E o filho da mãe me coloca dentro do São José de prata oco que eu tinha em casa.
- Caso solucionado... è só pegar o Santo.- concluiu Menezes.
Tereza ignora.
- Onde está esse santo?
Mário sorri e Menezes, sem perceber, procura no bolso.
- Boa pergunta...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Fafá de Belém canta Ave-Maria

Linda canção que Fafá de Belém cantou para o Papa João Paulo II, quando ele veio ao Brasil em 1997. Feliz Natal a todos!

domingo, 19 de dezembro de 2010

A morte da Diana

Ontem vi a tão falada cena em que morre a personagem Diana, na novela Passione. Durante a sua exibição, o nome da atriz Carolina Dieckmann ficou nos TT`s e a audiência foi satisfatória. Para quem não viu a cena, deixarei postado aqui. Emocionante ou não, a atriz e o ator Rodrigo Lombardi corresponderam a cena e deram emoção ao capítulo.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Melhor humorístico 2010: Tudo Junto e Misturado

Depois das revelações no humor, em 2009, com a turma da MTV (Marcelo Adnet e cia), a Rede Globo lançou este ano, o melhor humorístico de 2010. Além de atuarem bem, os humoristas também são responsáveis pelo roteiro do programa. Enfim, para quem não conhece vale a pena ver o vídeo abaixo e para quem já viu: vale a pena ver de novo!


Melhor blog

Ganhei um selo super carinhoso da Agnes (http://s2ois.blogspot.com/)! Destaco três blogs para ganharem o selo.

www.resenhafeminina.blogspot.com
http://www.lorotasveridicas.blogspot.com
http://minhamenteflutuando.blogspot.com

Abraços a todos que me acompanham!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

E se Jesus tivesse nascido em meio às Midias Sociais?

Ninguém duvida que esse ano vai ser o maior Natal Tecnológico. Então, abaixo, um vídeo muito bem produzido de como seria o nascimento de Jesus em meio a tantas tecnologias e mídias sociais.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

30 anos sem Jonh

Imagine... Só imagine...

A garçonete feia

Ambrósio estava descontente com as mulheres e com o amor. Havia perdido a sua grande paixão e decidiu que não se apaixonaria mais. Até o restaurante ele mudou para não ver mais a ex-namorada. Na hora do almoço, Ambrósio colocava o seu guarda-chuva debaixo do braço ( e era inverno) e ia ao restaurante comer a mesma comida de sempre. Arroz, feijão, carne e folhinhas de alface.

Já sentado na mesa e apreciando a comida do meio de expediente, aproximou-se uma garçonete que ele nunca vira ali. Alta, magra, cabelos amarrados e mal arrumados. Pinta no nariz (grande) e feia. Sim, Ambrósio achava a pobre garçonete feia. Parecia a Olivia Palito. E ele não estava a fim de ser Popeye...  

Passaram-se os dias e Ambrósio começara a notar que a feia garçonete sempre o tratava com mais atenção. Sorrisos, cumprimentos e mais sorrisos... Um dia ela estava tão feia, que Ambrósio perdeu o apetite.  Depois, ela começou a puxar papo. Conversa besta, dizia Ambrósio, na hora do almoço. Como ele estava odiando esta garçonete e as mulheres...

Um dia não deu papo à feia e fez de tudo para que uma outra garçonete moreninha lhe atendesse. Em vão, lá veio à garçonete feia e seca feito uma vara verde lhe atender. Ambrósio nunca foi um ícone da beleza, mas sempre quis ter ao seu lado mulheres belas e sensuais. Beleza ele não tinha, mas dinheiro caia do bolso.  Ele comprou todas elas. E sempre foi enganado por todas elas. Ambrósio distribuía carros, roupas, jóias, perfumes em troca de uma noite de sexo ardente. Ambrósio desfilava em sua BMW e sua feiúra e antipatia ao amor eram ofuscadas pelo barulho do carro.

Um dia Ambrósio foi almoçar e a feia garçonete não foi lhe atender. Estava conversando com um rapaz mais jovem e bonito e este lhe dando atenção e correspondendo as investidas e as conversas. Ambrósio, então, sentiu um ciúme terrível. Ciúme? Nos outros dias, a garçonete feia continuava a ignorá-lo e atendia ao belo rapaz. Ambrósio não tirava mais a garçonete da cabeça. Sentia falta da ternura, educação, bom humor e dedicação dela. Chorava vendo filmes românticos, ouvindo Wando e lendo romances...

Sim... Ambrósio não se deu conta que estava apaixonado pela feia garçonete. Nunca sentiu aquilo. E não comprou para ter aquele sentimento. Veio de mansinho, invadindo o seu coração. Um dia, chegou ao restaurante com flores na mão. Viu a garçonete feia atendendo um freguês e foi em sua direção. Ele olhou para ela e entregou as flores. A garçonete feia sorriu... Ambrósio voltou para a sua mesa. Havia visto em seu dedo uma aliança de compromisso. Assim que saiu do restaurante, o belo rapaz entrou no estabelecimento e chamou a garçonete feia. Ela veio sorridente e se beijaram. Recebeu dele uma linda rosa, enquanto ela jogava no chão as flores de Ambrósio.

A menina Isabela virou estrela

Depois que o primeiro vídeo da pequena Isabela fez o maio sucesso na internet (Não fecha a porta, tá? Tranquilo?), ela ganhou diversas situações novas no YouTube. E todas bem assistidas. Olha essa, em que Isabela está vestida de abelha.

"Que Rei Sou Eu?" fazia crítica à política brasileira

Reveja aqui a abertura da novela "Que Rei Sou Eu?", um grande sucesso de 1989, que fazia uma crítica bem humorada da política no Brasil, em um ano que voltávamos a eleger o presidente da República.

Em nome de Jesus, abreeeeeee!

É triste ver as pessoas se desesperarem e perderem o controle. Nesse vídeo, um dos mais vistos dessa semana, uma mãe se revolta e grita ao ver que perdeu o horário de entrada para o vestibular. Disse que estava rezando com a filha. Um dos comentários dizia que "ela ora e perde a hora".

http://www.youtube.com/watch?v=FuDYSEVeoAk

sábado, 4 de dezembro de 2010

Silvio Santos: E o bambu, Maísa?

Este vídeo foi destaque na revista Época da última semana. Há 30 anos, Sílvio Santos caiu em uma pegadinha de uma menina no programa "Domingo no Parque". A brincadeira era com uma rima suja com a palavra "bambu". Agora, o apresentador fez a mesma pegadinha com a Maísa.

Confira!

Propaganda de camisinha africana

O dia 04 de dezembro é comemorado o Dia da Propaganda. Para comemorar a data, um anúncio muito criativo de camisinhas.

Você conhece a Síndrome do Pânico?

 O médico psiquiatra, Márcio Bernik, e coordenador do Ambulatório de Ansiedade do Hospital das Clínicas do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, explica um pouco mais sobre a Síndrome do Pânico no site do Dr. Drauzio Varella. Confira!

Síndrome do Pânico

A síndrome do pânico, na linguagem psiquiátrica chamada de transtorno do pânico, é uma enfermidade que se caracteriza por crises absolutamente inesperadas de medo e desespero. A pessoa tem a impressão de que vai morrer naquele momento de um ataque cardíaco porque o coração dispara, sente falta de ar e tem sudorese abundante.

Quem padece de síndrome do pânico sofre durante as crises e ainda mais nos intervalos entre uma e outra, pois não faz a menor idéia de quando elas ocorrerão novamente, se dali a cinco minutos, cinco dias ou cinco meses. Isso traz tamanha insegurança que a qualidade de vida do paciente fica seriamente comprometida.

DrauzioOs sintomas que o transtorno do pânico provoca são semelhantes ao da ansiedade normal, apenas mais intensos, ou são diferentes?
Bernik – Os sintomas são relativamente similares. As sensações físicas da ansiedade são uma reação normal, por exemplo, caso a pessoa tenha fobia de lagartixa ou de falar em público e se veja diante de uma dessas situações. O que caracteriza o pânico é a forma abrupta e inesperada que os sintomas aparecem e o fato de a crise atingir o ápice em dez minutos. Na verdade, bastam 30 segundos para o paciente, que estava se sentindo bem, ser tomado inexplicavelmente por sintomas que de certa forma todos conhecemos: boca seca, tremores, taquicardia, falta de ar, mal-estar na barriga ou no peito, sufocamento, tonturas. Muitas vezes, tudo isso vem acompanhado da sensação de que algo trágico, como morte súbita ou enlouquecimento, está por acontecer. Nesses casos, é comum a pessoa ter uma reação comportamental de pânico e sair à procura de socorro. Aliás, a sala de espera dos prontos-socorros é um dos lugares onde o médico mais se depara com transtornos de pânico.

DrauzioNessa hora a sensação é terrível. Muitos acham que realmente vão morrer, não é?
Bernik – No episódio de pânico, a sensação de morte iminente provocada por um problema cardíaco tem duas explicações: a rapidez e a forma inesperada com que a crise acontece. A ansiedade normal tende a ocorrer em ondas, não em picos intensos. Mesmo o pânico que as pessoas sentem numa montanha-russa extremamente radical pode ser até agradável se estiver dentro de um contexto compreensível. Entretanto, a reação será muito diferente, se ele vier do "out of the blue", como dizem os americanos, ou do azul do céu, como dizemos nós.

Continue a ler no site: http://www.drauziovarella.com.br/ExibirConteudo/2569/sindrome-do-panico/pagina2/sintomas-do-transtorno-do-panico

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Didi Cantando "O Portão", de Roberto Carlos

Este ano, o personagem do trabalhão Renato Aragão faz 50 anos. O humor desse trapalhão, junto com Dedé, Mussum e Zacarias, fez a alegria das crianças e adultos de várias gerações. E foi nos anos 80, que Os Trapalhões viveram sua fase de ouro, com o grande sucesso na TV e nos cinemas.

Vale a pena curtir essa paródia da música "O Portão" com Didi Mocó.

Ghost - Do outro lado da vida

Que não se emociona com esse clássico de 1990. Ghost - Do outro Lado da Vida, foi sucesso de bilheteria no final dos anos 80 e emocionou o mundo todo. Confira os melhores momentos do filme, com a música tema.

Cena antológica de "Gabriela"

Gabriela (Sônia Braga) pega uma pipa que estava presa no telhado. A sua sensualidade vira atração para toda à cidade. Uma cena antológica com o inesquecível Armando Bógus. Vale a pena conferir!

http://www.youtube.com/watch?v=PzpXtdU03yI&feature=related

Abertura de "Tieta" mexeu com os imaginários masculinos

A inesquecível abertura da novela Tieta (1989). Quem não se surprendeu em ver uma linda modelo seminua no horário das oito da noite, na Rede Globo? Eu, com apenas 12 anos de idade, sonhava com a bela morena que se enroscava na árvore.

http://www.youtube.com/watch?v=_DDYBtXxZWk

Vida

Por Augusto Branco

Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas
que eu nunca pensei que iriam me decepcionar,
mas também já decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
e amigos que eu nunca mais vi.

Amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
e quebrei a cara muitas vezes!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi!
E ainda vivo!
Não passo pela vida.
E você também não deveria passar!

Viva!!

Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" para ser insignificante.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Conheça os sete hábitos dos profissionais altamente eficazes

Por: Karla Santana Mamona
30/11/10 - 10h55
InfoMoney


SÃO PAULO – Alguns profissionais  se destacam mais do que os outros no mercado  de trabalho porque são considerados eficazes. Segundo o diretor de Conteúdo e Facilitação da Franklin Covey, Luciano Meira, estas pessoas transmitem uma imagem de maturidade.
“A eficácia pode ser definida como maturidade. Este profissional sabe ouvir os outros. A sua relação interpessoal é bem trabalhada, por isso ele sabe conviver, construir e negociar, o que faz com que esta pessoa esteja sempre mais perto do resultado”, explica o especialista.
Conhecimento técnicoMeira afirma ainda que, para que um profissional seja considerado altamente eficaz, é necessário que ele tenha conhecimento técnico. Entretanto, só isso não é o suficiente. “Foi-se o tempo em que o profissional era considerado o melhor por causa do seu conhecimento. Isso é facilmente substituível. Atualmente, o que diferencia um profissional é o seu comportamento”, explica o especialista.
Para tornar-se eficaz, é necessário desenvolver alguns hábitos, que, de acordo com Meira, podem levar um determinado tempo, já que, para se tornar um hábito, as atitudes devem ser repetidas até serem naturais. “Este hábito, depois de estabelecido, continua automaticamente”, diz.
HábitosMeira aponta os hábitos que tornam um profissional eficaz. As dicas abaixo foram desenvolvidas pelo consultor Stephen R. Covey e publicadas no livro “Os sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes” (Ed. Best Seller). Confira abaixo:
  1. Ser proativo: ter iniciativa, pegar para si as responsabilidades;
  2. Ter visão: saber definir missão e valores. Fixar nas metas pessoais e profissionais;
  3. Ter foco: focar nas atividades mais importantes;
  4. Ganha-Ganha: ter capacidade de negociar. Lembrar-se de que os benefícios devem ser para ambas as partes;
  5. Saber escutar: procurar entender as outras pessoas, não ver somente o seu lado. Procurar trabalhar a comunicação interpessoal;
  6. Criar sinergia: buscar trabalhar com pessoas diferentes. A adversidade é uma fonte de inovação;
  7. Afinar o instrumento: o auto desenvolvimento deve ser contínuo em todos os sentidos. É importante atingir o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

FELICIDADE REALISTA

por Martha Medeiros

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote
louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão.

Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo,
usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o
suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se.

Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

#Anos80 - Entra e Sai de Amor

Quem já tem mais de 30 anos, lembra com certeza, dessa trilha que embalou as baladas românticas nas discotecas dos anos 80. Boa lembrança...http://www.youtube.com/watch?v=CO_N61stH_0

Essa música foi tema de Padre Albano e Tânia na novela Roque Santeiro, grande sucesso da Rede Globo, no ano de 1985.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Biografia de Alexandre Lana Lins

Biografia de Alexandre Lana Lins
Por Carla de Paula ( @Cadridepaula)


Jornalista, escritor, ator e sonhador... Assim é este mineirinho da gema nascido e criado em BH, mas com grande simpatia e boas lembranças de Piranga, cidade da Zona da Mata Mineira.

Nascido em fevereiro de 1977, este pisciano tem como berço uma família com mais 4 irmãos, sendo ele o segundo filho e mais velho dos homens. Carinho, respeito e compreensão não lhe faltavam em casa, bem como a companhia constante de irmãos e primos nas brincadeiras de infância.

Seu envolvimento com as Artes deu-se desde muito cedo, nas viagens pelo Sítio do Pica-pau-amarelo. As histórias de Lobato despertaram no menino sonhador as primeiras incursões na dramaturgia, quando imitava no quintal da sua casa as personagens do programa. Depois veio a admiração pelos Trapalhões – e surgiu os “Trintalhões”, o trio formado pelos irmãos, que se apresentava nas festas de família. Festas aliás que estão devidamente registradas em vídeos que mostram seu talento pela representação.

A admiração por artistas e programas de TV fez do nosso menino um telespectador assíduo. E nasceram as primeiras histórias, ainda na máquina de escrever. Aventuras, romances, contos, suspense... Seus escritos são muitos e variados. As férias chuvosas em Piranga eram uma inspiração ao seu talento como autor.

Veio então o Curso de Teatro e as primeiras peças. Em 1998 estreia em “O Grande Ator”, onde fazia o papel de um diretor atrapalhado. A experiência foi bastante positiva, e logo em 1999 veio a segunda peça, dirigida por Ilvio Amaral: “Eterna Luta entre o Homem e a Mulher”. Dessa vez o desafio era interpretar vários personagens, entre eles um caipira e um machão. Também em 1999 participou da peça “Quem é Ele”. No ano seguinte, o sucesso foi por conta do mordomo James, da peça “Se essa Sogra fosse minha” e o menino Tunico, de “Deu bicho na Bruxa”, personagens inesquecíveis para o ator, que foi dirigido por Marx Barroso.

A paixão pelas letras e pela Arte o levou à faculdade: primeiro Letras, mais tarde substituída pelo Jornalismo, onde encontraria afinidade pela redação e busca de noticias. O ano era 2001, e junto ao Jornalismo veio a autoria de sua primeira peça teatral ainda inédita, “Meu mundo”, e os artigos jornalísticos, como o “Casa dos Artistas", publicado no Jornal de Casa.

Os anos seguintes foram dedicados aos estágios na área de Jornalismo. Alexandre continuava produzindo seus textos e enveredava pelo caminho do Vídeo. Em 2003, apresentou o vídeo “Lições do Tempo”, produzido pelo Sistema Salesiano de Vídeo e em 2006 gravou o vídeo institucional VIDES.

Em 2004, em meio às publicações como a matéria para o site Sebrae, veio o retorno ao Teatro com a peça “Parente não é gente”, como o travesso Curió. No ano seguinte essa mesma peça é apresentada na Campanha de Popularização de Teatro de Belo Horizonte, assim como “A Convenção das Bruxas”, onde interpretou o Morcego Baluke. Era mais uma parceira com Barroso.

A produção escrita do nosso autor foi contínua. Artigos, contos, poemas e, em 2006, as primeiras ideias do seu primeiro livro infanto-juvenil, “Caminhar contra o Vento”, publicado em 2008 na Editora Virtual Libri. Neste ano também, Alexandre reuniu seus escritos em um site pessoal. Era a primeira versão do site www.alexandrelanalins.com.br. Seus textos foram publicados ainda em sites como BrasilWiki! e Recanto das Letras, onde são amplamente comentados pelos leitores e têm grande audiência.

A grande experiência na web, lendo e visitando sites e blogs diversos, inspirou-lhe a ideia do programa “Blog da Vez”, veiculado pela Elo FM, rádio comunitária na qual presta serviço voluntário. O programa aborda e divulga blogs interessantes e curiosos, que valem a pena visitar. Iniciado no ano de 2009, o programa já está próximo da marca dos 100 blogs. Também em 2009 iniciou a história do livro “Sexo, Morte e Boi-bumbá” o qual pretende lançar na web no próximo ano.

“E o sonho não acabou”, diria o grande poeta. O menino-sonhador, o jornalista-ator, o poeta-escritor tem planos de continuar a escrever e voltar a atuar. O encanto das suas palavras é um convite ao mergulho nos seus textos. Conheça e navegue pelo mundo de alexandrelanalins.com.br e construa também os seus sonhos!

Pequenas reflexões...

Com a aproximação do Natal, começam as propagandas, os apelos comerciais e a ânsia de gastar todo o dinheiro “natalino” em presentes e em diversos consumos. Mas, também, com a aproximação das festas de fim-de-ano, inicia-se em cada um a esperança de dias melhores. A partir dessa reflexão, uma angústia pode surgir nos pensamentos de cada pessoa.

A vida se resume ao trabalho, a ganhar dinheiro, a gastar dinheiro, acumular dinheiro? Ok, são perguntas até “manjadas” diante a tantos textos que falam sobre o assunto, mas questionar o excesso do apego a materialidade nunca será demais e nem piegas. E claro, julgar erroneamente o materialismo não é o correto, pois precisamos tê-los para viver aqui na terra. Agora, quando pensamos em fazer o bem, tem que se aprender a se doar... Não é fácil, pois se fosse o mundo seria um mar de rosas. Mas é muito mais simples do que se imagina e Chico Xavier já dizia que podemos fazer o bem, mesmo ficando em silêncio.

Acho, que em um determinado momento, encontrarei diversas respostas que me tiram o sono e prolongam a minha ansiedade, crendo que faz parte do crescimento do homem as descobertas, as decepções e as conquistas ao longo da vida. Se encaramos com naturalidade as conquistas e as decepções da vida, talvez viveremos em um mar de rosas. E com merecimento!

O mendigo rico

Mais um domingo em Piranga e os jovens reunidos na Praça do Coreto, após o término da missa. Um grupo reuniu-se no coreto da cidade e eles colocaram a conversa em dia: estudos, namoros, família, preocupações... Apesar de que naquela época, viver era menos corrido e o futuro estava bem mais desenhado que nos dias atuais.

De longe, eles viram o famoso mendigo da cidade chegando. Conhecido como Sr.Sabedoria. O apelido pegou e ficou. O Sr. Sabedoria gostava de contar causos para a garotada, mas toda a história desse mendigo era verdadeira. Contava que já viajou muito e contava detalhes de cada país de onde passou. Estados Unidos, França...Isso era motivo de muita zombaria por parte da garotada, apesar que tinha aqueles que ouviam atentamente a história desse homem.

Os jovens de Piranga cogitavam que esse mendigo já fora muito rico e tinha uma lenda na própria cidade que ele, realmente, foi milionário e perdeu toda a sua fortuna com mulheres, bebidas e jogos. Antes de ficar pobre, ele havia viajado o mundo todo e, por isso, tanta inteligência e tantas histórias. Nas enciclopédias, a confirmação de cada assunto tratado pelo Sr.Sabedoria.

Naquela manhã de domingo, Sr.Sabedoria contou como ele vivenciou o primeiro aniversário da bomba de Hiroshima. Visitou o local para ajudar os que haviam perdido tudo. A cidade era só destruição e ele pode conhecer um padre que ajudava com palavras de conforto e um médico que atendia o hospital lotado por doentes em fase terminal e outros feridos gravemente pela radioatividade da bomba. O mendigo contava com detalhes essa história e os jovens pareciam estar diante de um professor de História.

Naquele dia, um jovem resolveu segui-lo. Afinal de contas, quem era esse Sr. Sabedoria que usava roupas rasgadas, fumava um cigarro de palha, tinha um velho burrinho como companhia?

Seguiu até a velha casa onde o Sr. Sabedoria morava. Ninguém naquela cidade havia entrado naquele recinto. Assim que o Sr.Sabedoria entrou, o jovem aproximou-se da janela de madeira velha e podre devido ao tempo. Ouvia a sua voz. Falava sozinho? Pela fresta da janela, assustou-se com que viu. Naquela velha casa de um cômodo tinha uma imensa biblioteca. Livros espalhados por toda a sala. Havia tantos exemplares, que a simples cama sumia no meio deles.

Sr.Sabedoria estava sentado em uma velha cadeira e lia um livro. O jovem forçou a visão e conseguiu ler... Hiroshima. Esse era o nome do livro. O jovem sorriu e foi embora. Nunca contou o segredo do Sr.Sabedoria para ninguém. Deixe que o povo de Piranga ache que ele é sábio, pois foi rico um dia e pôde ver de perto todos os acontecimentos importantes do mundo. E era verdade. Ele tinha os livros como testemunhas.

De santa à prostituta

Rousilda era a moça mais comportada de Piranga. No início do século 21, usava vestido de chita e seu cabelo era penteado para trás. O famoso rabo de cavalo. Com seus 20 anos de idade, nunca namorou. Feia não era. Mas ela ofuscava a beleza com o seu desleixo no visual. Saia de casa para a faculdade e para as missas à noite. Carola como a mãe.

Branca que nem a vela do altar de Nossa Senhora, nunca teve coragem de ir ao clube e colocar um maiô... Biquíni? Nem pensar? A pobrezinha era virgem de tudo. Só treinava os beijos no copo com gelo e na laranja. Outros prazeres... Nem pensar! Coisa do diabo!

Identificava-se com as beatas de Jorge Amado e com as moças puras das novelas de TV, que no final sempre encontravam um príncipe encantado. Mas a vida não é assim, Rousilda. Um dia se apaixonou. Não era mais um amor platônico. Ela queria que este fosse verdadeiro. Um lindo rapaz que saia toda noite com uma moça diferente e tinha o carro do ano. Bonito, atlético, um “Don Juan”. As moças eram apaixonadas por ele. E Rousilda também... Mas ele nem a olhava. E nem podia. Um playboynão enxergaria a alma daquela pura moça. Parecia que fizera promessa para ficar solteira para o resto da vida.

Rousilda tinha poucas amigas e a única que tinha era igual a ela. Ah! As beatas de Jorge Amado. Um dia, completamente apaixonada, alugou o filme do Jonh Travolta. Sim... Grease. Lá ela viu a sua história. A mulher tímida mudou todo o seu estilo para conquistar o playboy que amava tanto

E decidiu! Mudaria o seu estilo!

Soltou o cabelo, usou roupas modernas, aprendeu a se maquiar e até tirou carteira de motorista. Financiou um carro em 60 vezes só para impressionar a todos. Parou de ir à missa e começou a freqüentar as boates. Até a dança do poste aprendeu. Numa noite dessas, Rou (como gostava de ser chamada agora) viu o seu príncipe playboy e jogou olhares fulminantes pra cima dele. E este sorriu. Não falaram e nem ficaram. Mas o flerte só estava começando.

Uma, duas, três noites... E o playboy sumiu. Vários homens investindo na Rou e esta só queria o seu playboy. E este sumira completamente. Desolada, aceitou o convite de outros homens e perdeu a virgindade com o primeiro que a embriagou. Ai, não parou mais... Virou a dama da cidade. Dama Rou. Levava aos homens à loucura com a “dança do acasalamento”. Um segredo que ela guardava a sete chaves.

Porém, o vazio foi lhe preenchendo a alma e a saudade do playboy invadiu o seu coração. Foi quando, passando em frente a uma igreja, ouviu um culto bonito e se aproximou. Para a sua surpresa, na primeira fileira, estava o seu playboy. Calça de linho, blusa social com o último botão fechado, cabelos arrumados. Cantando e orando. Era um outro homem. Ou melhor, era o seu príncipe encantado. Mas ao lado dele a sua melhor amiga... A outra beata. Estavam noivos e iriam se casar.

Rou enxugou as lágrimas. Saiu da igreja e andou até uma esquina. Colocou um chiclete na boca, rodou a bolsinha e esperava o primeiro cliente aparecer. A Rosa da Noite tinha acabado de nascer... E ai? Que pagar quanto? – perguntava sorridente.

O homem que adorava mentir

Úmero resolveu contar a grande mentira da vida dele. Esta mentira seria a consagração das décadas em que viveu mentindo. Uma grande mentira que mobilizaria Piranga, uma típica cidade do interior, onde viveu toda a sua vida. Úmero sempre mentiu. Aliás, nasceu mentindo. Ao invés de chorar, riu quando o médico lhe deu palmadas no bumbum. Era o sinal. Seria um grande zombador. Achava que a vida seria uma grande festa! No berço, chorava de fome, mas quando a mamadeira era colocada em sua boca, ele ria. E como ria! Era mentira!

Na escola, todo dia contava uma mentira para os seus colegas. Alguns professores o colocavam de castigo e diziam: “Por que não escreve histórias?" Mas não, Úmero queria zombar, rir da vida e contar mentiras. Inventava mil histórias, porém quantas eram prejudiciais.

Adolescente, teve as primeiras namoradas à base da mentira. Não duravam muito os relacionamentos. Claro, as mentiras logo eram desmascaradas. Mas sem mulher ele não ficava. Era um galã. Tocava violão, fazia serenata e mentia. Assim, conquistava as mulheres.

Adulto, não parava em emprego nenhum, pois logo a sua fama de mentiroso se espalhou. Não casou. Que mulher queria casar com um mentiroso? E quando se viu diante do desemprego e da falta de oportunidade, um “amigo” lhe convidou para ser político. Ah! Ai foi o momento de glória! Como mentia bem esse filho de uma égua. Venceu várias eleições, mentindo. Não cumpria nada do que prometia. Era um eloqüente mentiroso no coreto de sua cidade, bracejando as promessas invisíveis.

Até que o povo cansou e ele não conseguiu se eleger mais a nenhum cargo. Mas ficou rico. Enquanto procurava outras ocupações, continuava a mentir. Até que ninguém lhe deu atenção mais. Úmero, então, resolveu contar a grande mentira da vida dele. Esta mentira seria a consagração das décadas em que viveu mentindo. Espalhou para toda cidade que só tinha seis meses de vida. Inventou uma doença e foi tão verdadeiro que todos acreditaram. Podia ter sido um grande ator. Chorava nos bares e nas esquinas da cidade. Os religiosos rezavam pela sua saúde e Úmero passou a ser tratado como rei. O grande cidadão e prefeito que aquela cidade já teve!

Até que um médico da capital chegou à cidade e descobriu toda a mentira. E a notícia logo foi se espalhando. Pronto! A vida de mentiroso de Úmero foi destruída. Foi levado à fogueira, assim como o Judas nos sábados de aleluia. Ninguém lhe falava mais e nem um “bom dia” recebia. Foi definhando, acreditou na sua grande mentira e dizia que faltava pouco para morrer. Até que morreu. No dia 1º. se abril. Morreu com a doença que havia inventado. O povo daquela cidade só soube por um cartaz redigido com uma velha máquina de escrever na porta do bar. Ninguém foi ao enterro. Só ele e o coveiro. Afinal, ninguém acreditou que Úmero tinha realmente morrido. Nem o padre. Era mais uma grande mentira!

Vida e Morte se casam

O povo da cidade de Piranga estava em peso na igreja, quando a Morte entrou com um lindo vestido de noiva. Sorridente, acenava para todos com aquele facão na mão. Seus convidados estavam presentes. A Vida estava no altar esperando a noiva, porém com a cor do vestido diferente. Era um azul mais claro.

O prefeito da cidade e o governador do Estado presentes no casamento. No altar um padre, um pastor, um pai de santo e um mentor espiritual esperavam para o início da cerimônia. Enquanto a Morte percorria a igreja, Manfrildo agoniava-se na cama do hospital. Tinha um câncer terminal. O pulmão mal funcionava e estava respirando graças à ajuda de um aparelho. Manfrildo passou a vida fumando e acreditando no poder e na sedução do cigarro. Quando soube que estava com o câncer, fez um pacto com a Morte. Apresentaria a ela a Vida e se caso as duas se apaixonassem, ele seria salvo dessa doença terrível.

E assim foi feito: Morte e Vida se apaixonaram e resolveram se unirem.

Com as bênçãos de todos os credos, Morte e Vida saíram da igreja debaixo da chuva de arroz e, visivelmente, felizes. Naquele mesmo dia, o cemitério da cidade ficara vazio. Não tinha um morto para contar história. Todos estavam voltando para suas respectivas casas, trajando roupas infectas e rasgadas.

Manfrildo curou-se da doença e voltou a viver a sua vida. Sentiu que teria uma segunda chance. Parou de fumar e mudou seus hábitos. E os anos foram passando e a cidade não tinha mais como comportar tanta gente. Os velhos ficando mais vigorosos e as mulheres tendo dois, três, dez filhos. O prefeito mandara fazer mais casas, porém o dinheiro não era suficiente. E a saúde pública se transformou num caos. Os que voltaram à vida infectaram os rios.

Manfrildo, devido à desorganização da cidade, pegou a famosa dengue. E não só ele... Muitos. E no auge dos seus 130 anos, Manfrildo não sabia onde encontrar forças para viver no leito do hospital, junto com milhares de pacientes que tinham além da dengue, outras doenças que há muitos anos haviam desaparecido da cidade. Manfrildo não agüentava mais, queria morrer... Bastava! Viveu o suficiente... Mas cadê a morte?

A Morte ainda curtia a lua-de-mel com a Vida e ambas só dançavam. Elas dançavam o dia todo, a noite toda... A alegria da Vida multiplicava a população e a felicidade da Morte permanecia as pessoas vivas, mesmo doentes. Até que Manfrildo gritou pela Morte e esta veio ao seu encontro. Queria saber o que tanto queria. E Manfrildo revelou que a Vida estava lhe traindo com uma tal de Esperança. Esperança que estava na cidade para ajudar o caos que atingiu aquele povo. Radical, a Morte não ouviu a explicações da Vida e terminou tudo. E nada de pensão. A Morte não ia pagar nada. Um Dólar!

Depois desse dia, Manfrildo morreu. E a metade da população de Piranga, depois de um terremoto que acabou com a metade da cidade. Esperança sem saber de nada, acreditara que o homem não tinha nada haver com aquelas tragédias naturais. E Vida e Esperança se conheceram, mas Vida está muito ressentida e Esperança tentava lhe conquistar. Mas Esperança aguardava um outro “Manfrildo” para lhe dar uma ajudinha nessa conquista.

O trocador apaixonado

Eita trocador apaixonado! Não é que ele está sempre com um perfume forte e um sorriso na cara? Pego sempre o mesmo ônibus e reparo que sempre são as mesmas mulheres que estão no coletivo. E o trocador também. Barba feita, roupa alinhada e cantor. O rapaz é cantor. Enquanto ajuda as moças com o dinheiro da passagem, ele canta famosas músicas do Zé Ramalho. E ele canta bem. Parece que ali, naquele banco, em frente à roleta, era o seu palco.

Enquanto canta, olha discaradamente para uma bela moça que estava ao meu lado. Ela ficara vermelha... Não sei se era de paixão, vergonha ou raiva. O trocador parecia um namorado apaixonado, cantando para a sua amada embaixo da janela. De vez enquanto, lembra que está trabalhando. Pega uma moeda de cinqüenta centavos e bate nas ferragens do ônibus, anunciando que o motorista podia ultrapassar ou encostar no ponto. E , também, para avisar que tem passageiro querendo descer. Assim, ele percorre a viagem toda... Sorriso no rosto, cantando e cheio de gracejos com as meninas.

Em uma outra viagem, quem eu encontro cobrando os passageiros? O trocador apaixonado! Desta vez, por causa do frio, vestia elegantemente e sorria para todas as moças e mulheres que entravam no coletivo. Eram loiras, morenas, ruivas, negras, amarelas... Todas se encantavam com o sorriso desse trocador. Nas mãos uma luva preta para espantar-se do frio. Quando a moça com quem ele se apaixonou entrou, ele vibrou com os olhos e pôs a cantoralar “Chão de Giz”. Olhou pela janela e viu um senhor lavando a calçada de sua casa com água e murmurou: “Moço, a água ta acabando, sô”.

Hoje, não foi diferente. Era o trocador apaixonado no coletivo. Porém, estava triste. O seu olhar não irradiava alegria e não cantava uma música sequer. Notara que a moça com quem se apaixonou não estava no ônibus. Ô vontade de perguntar o que tinha acontecido... Mas não precisou. O trocador apaixonado silenciosamente tirou do seu bolso uma aliança e a reparou. Olhava-a triste. O motorista vendo o trânsito lento que aguardava-lhe, viu o trocador pelo retrovisor e afirmou: “ Acabou, né...” O trocador afirmou com a cabeça e jogou a aliança pela janela do ônibus. Deu um sorriso e voltou a cantar... Eita trocador apaixonado!

Estive no Sítio do Lobato

Hoje eu estive no Sítio do Pica-pau Amarelo e encontrei Dona Benta escolhendo um livro em sua biblioteca para ler aos seus netos na noite de hoje. Estava feliz, porém, um pouco ansiosa, pois iria ler uma obra de Monteiro Lobato. Um cheiro gostoso de bolinho vinha da cozinha; era a Tia Anastácia fazendo seus quititudes enquanto cantava lindas músicas. Pedi licença a Dona Benta e fui dar uma volta no Sítio. O Burro-Falante me cumprimentou, mas estava com muita pressa, pois Visconde lhe chamara para conversar e trocar idéias a respeito de um experimento novo. Sorri e fui conversar com o Rabicó, que estava comendo, pra variar...

Estávamos numa prosa boa, quando o Jabuti chegou cansado e nervoso, perguntando pela Emília. Queria entregar uma carta do Príncipe do Reino das Águas Claras. E era urgente! Haveria uma festa amanhã lá e as aranhas-costureiras queriam tirar a medida da Emília. Foi lá... devagar e reclamando...

O Saci me deu uma rasteira e saiu rindo; eu levantei e ri também. Afinal, levar rasteira do Saci- Pererê não era pra qualquer um... Ouvi a Cuca rindo alto e percebi que tinha me afastado um pouco do Sítio. Voltei e vi a turminha chegando. Emília, Pedrinho e Narizinho. Abraçam-me e disseram que estavam chegando da Lua, foram trocar uma idéia com o São Jorge e ver, mais uma vez, o nosso planeta Terra... Emília toda elétrica disse que eu estava lá em um ótimo dia, pois iria ter os bolinhos da Tia Anastácia e Dona Benta iria contar uma história do padrinho deles: Monteiro Lobato.

À noite, todos estavam reunidos na sala e Dona Benta sentada em sua cadeira de balanço. A leitura ainda não havia começado, pois o Visconde não tinha chegado. Ele perdera a sua cartola. Pedrinho logo achou. Estava com o Saci e para castigá-lo, deixou-o preso em uma garrafa.

Quando Dona Benta iniciou a leitura, Tia Anastácia chegou com os bolinhos e a porta se abriu. Uma surpresa! Era Monteiro Lobato. Que honra conhecê-lo. Emília quem o convidou e manteve segredo. Com o seu pirlimpim fez surgir um bolo e cantamos parabéns ao mestre Lobato e, claro, a famosa música de Gilberto Gil: “Sítio do Picapau Amarelo, Sítio do Picapau Amarelo...”. Já com um pedaço de bolo na mão, aproximei do Sr. Lobato e o agradeci.

- Obrigado, por ter feito a minha infância ser mais lúdica e feliz e me tornar um adulto sonhador.

Ele sorriu e olhava orgulhosamente para os seus filhos, os seus personagens.

Morena do Sol

Dênisclelto saíra da escola atrasado, era quase meio-dia, mas ficou de castigo por causa de umas travessuras que tinha feito em sala de aula. A professora não teve dor e piedade e deixou-o em sala copiando a frase: “Sou um menino bom” cem vezes. Revoltado, Dênisclelto saiu correndo de sua escola e passou em frente à igreja matriz, olhou ao relógio e viu que era quase meio-dia. O sol já apontava o calor que iria fazer naquela tarde em Piranga.

Uma tranqüila cidade e também rústica. Cresceu andando de bicicleta pelas ruas de bloco no chão e ouvindo histórias maravilhosas dos mais velhos. Daqui um mês iria completar 13 anos e Dênisclelto já estava descobrindo os mistérios da juventude.

Ao entrar em sua rua, avistou o morro que o presenteava com a paisagem. No alto do morro, uma velha árvore. Uma árvore que foi atingida por um raio em uma tempestade e por isso deixou metade dela morta. Portanto, a outra metade tinha flores e na outra a coitadinha era seca. Pareciam os dois caminhos que a vida lhe indicava. Olhando para tal árvore assustou-se com o badalar das doze horas. E viu um vulto lá no morro, perto da árvore.

Parou e fixou o olhar na árvore. E viu... Viu uma linda morena vestido com apenas alguns panos e dançando embaixo da árvore. O sol do meio-dia o fazia enxergar mal a bela morena e por causa da distância, não via o seu rosto. Mas era bela! E sensual! Naquela noite não dormiu, pensava o tempo todo na sua morena. A Morena do Sol.

Todos os dias, Dênisclelto fazia uma travessura em sala de aula para ficar até mais tarde na escola. Copiava com gosto: “Sou um menino bom” e quando terminava saia da escola como um vento e esperava o badalar das doze horas da igreja. Ao meio-dia em ponto, a Morena do Sol aparecia debaixo da árvore no alto do morro.

Assim passou um mês e o rapaz resolveu conhecer a tal morena e descobrir os seus mistérios.

 Destemido, saiu da escola no horário do recreio e pegou um atalho para subir até a árvore no alto do morro. Invadiu terras e pulou cercas, sujou os pés no barro e caiu várias vezes na subida íngreme. Enfim, com suor no rosto e cansado, estava debaixo da árvore e se escondeu atrás de uma moita.
Dormiu. Acordou assustado, com o badalar das doze horas. Dênisclelto espiou por de trás da moita a árvore e esperava pela morena. E ela estava lá. Vestida apenas com um pano, dançava debaixo daquele sol. Seu cabelo preto dançava junto com o vento... O rapaz estava apaixonado com tanta beleza. Parecia ouvir a música que ela dançava. Não agüentou mais, queria pega-la, beijá-la, amá-la...

 Mas acordou. Estava jogado naquele chão de capim. Olhou por entre a moita e não viu a morena. Olhou o relógio... Doze horas e um minuto. Cadê ela? Cansado, levantou-se e resolveu ir embora... Mas debaixo da árvore encontrou o pano que vestia a sua morena, que vestia o seu desejo juvenil.

A morte do Zé Pereira

Enastácio sempre gostou de carnaval. Contava os dias, semanas e meses para o próximo carnaval. Ele era o responsável pelo tradicional Zé Pereira ,ou Boi – Bumbá, que alegrava as noites de janeiro na cidade de Piranga. O Zé Pereira antecipava a festa que seria o carnaval. Os homens vestidos de mulheres, mulheres fantasiadas e crianças correndo atrás do boi. Enastácio além de preparar o Zé Pereira, era o miolo do boi. Dava vida aquele boi de retalho velho.

“ Olha o Zé Pereira, bate com a bunda na poeira” – cantavam todos, enquanto o boi vinha descendo a ladeira e os bonecos gigantes alegravam e assustavam as crianças e os adultos. Enastácio ria dentro do boi. Como gostava de correr atrás da criançada e assustar o povo que ficava no contorno da praça matriz. E aquela noite antecederia a morte do Zé Pereira. Uma noite antes do sábado de carnaval, o povo saia de preto, chorando . O caixão feito de madeira velha e retalhos era jogado no Rio Piranga. Ali decretava-se o fim do Zé Pereira e o início do carnaval. Depois de jogado o caixão, o povo voltava alegre e cantando. Era o início do carnaval.

Antes da última noite do Zé Pereira, Enastácio cantava junto e dançava com as crianças. Como fazia calor dentro daquele boi. Em certo momento, tudo começou a rodar e ele foi perdendo a força. O povo assustou, um menino gritou: O boi caiu!- Foi um corre-corre geral. Tentaram socorrer Enastácio até a chegada de um médico. Infarto! Não tinha mais jeito. A banda silenciou, o povo se entristeceu e uma criança puxava o rabo do boi. “Vamô, boi! Corre atrás da gente!”

No outro dia, Piranga amanheceu com o tempo nublado. E o velório do Enastácio acontecia na humilde sala de sua casa. Parece que está sorrindo, comentava todos que o viam no caixão. Velas acessas, flores e Enastácio imóvel. O seu filho sabia que o último dia do Zé Pereira era o mais importante para o seu pai, portanto a festa não podia acabar naquele velório.

Assim à noite, o povo ouviu uma choradeira descendo a ladeira e a banda apenas tocando um instrumento com um som melancólico. Todos de preto segurando um caixão velho. Era a morte do Zé Pereira. Passaram em frente à casa de Enastácio e fizeram uma parada. Aplaudiram. E um foguete foi aos céus. Enquanto o velório de Enastácio continuava, o velório fictício de Zé Pereira rodava a praça matriz.

Passarinho que come pedra...

O professor Procariontes dos Eucariontes era considerando o mais inteligente da cidade de Piranga. Com um vocabulário de dar inveja aos outros mestres, Procarionte dos Eucariontes era chamado para escrever os discursos dos vereadores e do prefeito da cidade. Na inauguração da nova igreja matriz de Piranga, que lembra as obras de Oscar Niemeyer, Procariontes dos Eucariontes tirou de sua pasta um bloco de folhas com um discurso escrito em uma velha máquina de escrever.

Eloqüente e incisivo, Procariontes dos Eucariontes gritava aos quatro cantos do coreto:

- Piranguenses, burgo de minha urbe e de meu cerne. Eis que estou aqui como um humilde servo para apresentá-los a nova igreja matriz da nossa apetecida cidade. Uma igreja que explana o que temos de mais coevo no século xx e com os arrabaldes de um mestre da arquitetura hodierna. Hoje é um passo significativo para a modernização de nossa urbe e para o futuro promissor desta comarca povoada de guarás-pirangas. Estou muito probo em ser o pregador desse momento de transformação, no qual o povo piranguense terá uma obra de arte plantada juntos aos coqueiros da Praça. Sem dúvida, com esta obra briosa, não sobrará pedra sobre pedra, da antiga igreja que nada mais acrescentava à nossa magnânima cidade.

( Será?)

E ele continuava:

- Eis que o prefeito incidiu em sua administração ao delinear uma igreja redonda, que nada mais é, do que o futurismo dos anos setenta que contempla os intelectuais e o povo arrastado que vontade de chorar. Somos a sabatina viva de que Piranga está há um passo da civilização futurística e que, agora, o asfalto é questão de período e sobriedade dos gestores dos poderes Executivo, legislativo e Judiciário. Eu, como professor e pregador, sou prova acalorada e contundente de que a cidade está evoluindo para o crescimento sustentável. Como diz a velha canção, quem sabe faz à hora, não espera a acontecer. Muito obrigado!

Aplaudido pelos intelectuais, Procariontes dos Eucariontes desceu as escadas do coreto e num susto tropeçou com as próprias pernas e bateu a cabeça no chão. Foi levado as pressas ao hospital para cuidar de um corte que tinha na testa e de um “galo” que aparecera em sua cabeça.

Foi para a casa e Procariontes dos Eucariontes adormeceu. Dois dias dormindo. Quando a sua esposa resolveu acordá-lo, ele espreguiçou-se e sorriu. Levantou-se da cama e foi tomar café. Ainda calado, a sua esposa perguntou a ele:

- O que foi, Procarionte? Está tão calado?

- Uai, to com uma fome danada de besta. Num vejo a hora de devorar este pão com café pra dispois dar aula. Meus aluno istão mi esperando na iscola. Oiá, faz logo a lista de compra qui vou passar na frente do mercadinho pra mode de pedir a comilança.

A esposa do Procarionte levou um susto, o homem não dizia uma palavra certa. Era outro homem. A sua sabedoria tinha ido embora quando bateu a cabeça no chão. E, naquela semana, tinha outra inauguração na cidade. E o prefeito já havia combinado com ele.

Pois bem, no dia da inauguração, Procarionte dos Eucariontes estava no palanque com o discurso escrito na mão. Dessa vez foi à esposa que escrevera, pois sabia das condições do marido. O prefeito, então, iniciou:

- Piranguenses, estou inaugurando o novo hospital público para a nossa comunidade. Não deu para fazer muitas coisas, pois o dinheiro estava curto porque os governos estadual e federal estão em crise. Mas é o primeiro passo e o professor Procarionte dos Eucariontes está aqui para mostrar que mesmo faltando recursos, a prefeitura de Piranga está preocupada com o bem-estar do povo.

Procarionte pegou o microfone e começou:

- É, povão, lascados nós estamô, lascados ficaremo. Com farta de dinheiro na conta da prefeitura, cada um sabe onde o sapato aperta. Por isso que digo que cada macaco fique no seu gaio, para não dar gaio para o povo. Um hospital sem C.T.I é comer o pão que o diabo amassou. Afinal, passarinho que come pedra sabe o C* que tem.

Nunca o professor Procarionte dos Eucariontes foi tão aplaudido pelos populares.

A primeira transa de um jovem

Irieldo completara 15 anos. Logo de manhã, ganhou de sua mãe um par de sapatos e uma blusa nova. Como era domingo, a mãe queria ver o seu filho bonito na missa das 19 horas. E seria a celebração que antecederia o natal. Daqui alguns dias, comemorariam a vinda de 1960.

O pai de Irieldo lhe viu experimentado a roupa. Como seu filho crescera. Nem parecia ter 15 anos. Entrou no quarto e com um olhar observador, percebeu uma revista de mulheres nuas debaixo do travesseiro do rapaz. Este sorriu, seu menino já era um homem!

Como presente aos 15 anos do garoto, Irieldo recebeu uma quantia em dinheiro do pai. E passou todas as informações possíveis. Era uma casa que ficava na entrada da cidade e ele podia escolher a mulher que quisesse. Indicou uma morena. Irieldo constrangido recebeu o dinheiro do pai e guardou. Deitado em sua cama, pensava na bela Juliana. Linda morena de 18 anos, um corpo monumental, porém tinha cara de menina. Usava sempre um vestido de chita e laços na cabeça. Declarou-se a ela e esta o desdenhou.

Na última noite de lua cheia fez até serenata. O pai da Juliana se rebelou e jogou o pinico cheio de xixi no pobre menino. Juliana só ria.Juliana queria um rapaz da capital.

Todo arrumado com a roupa nova, Irieldo disse à mãe que iria a igreja. Não foi. Pegou um atalho e foi em direção a casa mais movimentada daquela redondeza. Apreensivo, foi recebido por uma mulher mais velha que o incentivou a entrar. Sentou-se em uma mesa velha e não pediu nada para beber. Estava nervoso. A pouca luz e o cheiro forte de cigarro o incomodava. Em sua mente, Irieldo só pensava na bela Juliana. Como a queria como namorada. Como queria beijá-la, amar... Mas tinha que tirá-la da cabeça. Olhou para uma morena sentada no velho balcão e a chamou.

Foram para o quarto imundo. Uma barata passeava no chão e um velho colchão era o que tinha naquele quarto. A mulher com um sorriso no rosto tirou a roupa e deitou. Irieldo fez o mesmo. Afoito, tentava acertar a melhor maneira de fazer amor com aquela mulher. Esta, com calma, o ensinava. Mas, na cabeça de Irieldo, quem estava ali era a Juliana. Agora sim, sentia o grande prazer da vida dele. Não parecia a sua primeira vez, via na mulher a sua linda menina.

O dinheiro foi gasto naquela noite e Irieldo saiu satisfeito. Era um homem. Tinha transado. A mulher exausta na cama, só com um sorriso nos lábios. Ele prometeu voltar. E ela ansiosa esperava pela volta daquele garoto.

Passaram os dias e nunca mais Irieldo voltou aquela casa. E a mulher sentia saudades e desejos pelo menino. Até que em uma bela noite, ela foi acordada com uma serenata. Era Irieldo cantando belos versos. Jogou uma rosa para a mulher e esta sorriu. O chamou para entrar. Naquela noite seria de graça. Irieldo, então, aceitou. Mas, por uma condição, que ela vestisse de chita e colocasse laço nos cabelos. Queria ter nos seus braços a bela Juliana.

Piranga e as bicicletas voadoras: aventura sem fim

Era o ano de 1989, ano que a democracia brasileira voltava com fé e esperança. Ano que os brasileiros votariam no presidente do Brasil, depois de anos de ditadura. Como era importante aquele ano. Mas a importância para mim era outra. E, talvez, até mais doce. Era o ano da infância, das amizades e foi o ano que morei em Piranga.

Naquele ano, eu estudei na Escola Coronel José Ildefonso e lá encontrei meus grandes amigos de infância e início de juventude. E foi nessa escola que conheci professores que me entusiasmaram nesta vida de escritor e jornalista. Lembro-me de Dona Ilza, professora de Português, que ensinava-nos os verbos e pediam-nos que os conjugassem em pé,na frente dos colegas. Parecia um palco de teatro, no qual dizíamos os verbos com tamanha perfeição, que parecíamos artistas. Foi a professora Ilza que me incentivou a escrever um diário e o transformei em inspiração para escrever minhas histórias. E a matemática? Nunca foi tão fácil entendê-la com a professora Elza. Lembro-me, também, das professoras Sãozinha, Rita e Tia Lalada ( que dava aula de Ed.física).

Depois das aulas, os amigos se reuniam na praça matriz com suas bicicletas ferozes. As aulas terminavam as 4 e meia da tarde e as seis da tarde já estávamos com nossas “motos”. Era um grupo de meninos que “voavam” pela cidade. Sentindo o cheiro de mato, sentindo o vento no rosto, vendo o sol se pôr. Piranga sentia os tremores das bicicletas e os nossos sorrisos. Analdo, Waguinho, Gildim, Lucimar, Antônio Mendes, Willian... Amigos de escola, de rua e de aventura. Descobríamos, também, como era gostoso gostar de alguém. As meninas sorridentes e alegres enchiam os nossos olhares: Geovana, Aline, Daniele,Rosana, Fernanda... Os amores platônicos que se transformaram em amizades.

Mas eram as bicicletas “ferozes” que nos faziam mergulhar no mundo de aventura que Piranga nos proporcionava. A praça matriz, a Praça do Rosário com sua linda igreja, a Rua Nova, o Rio Piranga, o cemitério, Rua do Rosário, a Rua Quebec... Invadíamos cada canto da cidade com as bicicletas voadoras e com as buzinas de plástico... É, aquela que dava aquele som: “fim-fom”.

Parávamos na praça da igreja matriz e comprávamos chicletes e chocolates. Colecionávamos as figurinhas e trocávamos as repetidas. As bolinhas de gude no chão da praça e a bola de futebol no campo do clube.
A noite, completamente exauridos, voltávamos para casa orgulhosos. Afinal, o dia foi longo e aproveitamos cada canto de Piranga e cada momento de nossas infâncias. Aos amigos e professores que não citei o nome, digo-lhes que estão na minha memória e no meu coração. Lembro-os de cada um... Como se fosse ontem e não quase vinte anos.

O ano de 1989 sempre será aquele ano que nunca terá igual. Um ano especial. Que se fosse um filme ganharia vários prêmios, que se fosse um livro viraria um Best-Seller. Que se fosse para voltar, que voltasse como foi. Sem tirar e nem por. Obrigado, Piranga! Obrigado, meus amigos! Obrigado meus pais por ter me proporcionado um ano lúdico e surreal.

Pelas barbas dos profetas!

Merecildo encontrou a sua cara metade! Uma linda mulher. E além de linda, simpática, culta e muito inteligente. E com uma elegância ímpar! No primeiro encontro, Merecildo ajeitou a sua bela barba e se perfumou. Foi ao encontro da bela moça. Primeiros olhares, primeiras conversas e o primeiro beijo. Depois desse, outros muitos vieram. A linda moça passava a mão na barba curtinha de Merecildo e dizia como era linda. O rapaz ficava todo inchado. A namorada nunca mais o chamou pelo nome, só de “babuzudinho”. E com aquela voz linda e doce.

Os meses foram passando, o namoro seguia forte. E a barba também. Toda vez que ficava grande, a namorada fazia questão de cortar. Para ela era um ritual. Primeiro passava a máquina para deixá-la baixinha e depois a tesoura para tirar os fios grandes. E, finalmente, a gilete para tirar os fios encravados. Pronto! Merecildo estava novinho em folha. Á noite faziam amor e a namorada só faltava arranhar o seu rosto na barba do Merecildo.

Um ano de namoro e a namorada colocou várias fotos do Merecildo na internet. Todos com ângulos diferentes da barba. Nem o nariz do próprio rapaz apareceu. Só a barba! Parecia uma mata fechada com os ângulos fechados. Até concurso para melhor barba feita, a namorada colocou Merecildo para concorrer. Ganhou...

Mas Merecildo começou a ficar enciumado da própria barba. Um dia disse que iria tirar para mudar o visual, mas a namorada chorou. Fez uma verdadeira cena de novela mexicana. Ele não podia fazer isso com ela, tirar a barba que ama tanto. Ama tanto? Afinal, ele ama o Merecildo ou a barba dele?

Em uma noite de chuva forte de raios e trovões, Merecildo sem dor e piedade cometeu um “barbocídio”. Seu rosto ficou mais liso que bumbum de bebê. Ele ria alto em frente ao espelho com a máquina ligada em sua mão. E os raios iluminavam cada fio que saia de seu rosto. Bom, o namoro terminou. Ela disse que sem a barba, Merecildo não era o mesmo.

Revoltado, Merecildo nunca mais deixou a barba crescer e não queria saber de namoro. Só curtir as noites. Alguns meses se passaram e Merecildo estava em uma boate. Música alta, poucas luzes e muita gente dançando. No meio da pista, um homem com uma barba bem feita e muito perfumado passou a mão no bumbum do Merecildo. Este levou um susto e disse a ele que era hetero e tal... O rapaz coçou a barba, sorriu e perguntou com aquela linda voz suave e doce:

- Não está me reconhecendo, meu babuzudinho?