segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Sexo com a morte

Era o ano de 1950, um velho e conhecido fazendeiro de Piranga acabara de ficar viúvo. A dor que sentia de ver o seu grande amor ir embora, o deixava deprimido, sem vontade de andar pela sua fazenda e conduzir o comando de sua vida. Conhecido por todos pela sua bondade e riqueza, distribuía a todos os pobres carinho e conforto. Não foi a toa que o funeral de sua esposa ficou cheio. Parece que a cidade estava ali em peso. Desde os pobres até os políticos e os mais influentes da cidade.

Viveu com a sua esposa durante 25 anos. Não tinha notícia em Piranga que ele o traia e nem mesmo ela... Hum... E nem podia! Ela esteve doente por muitos anos e foram anos que o velho fazendeiro dedicava a sua amada. Sempre com carinho e dedicação. Era um amor muito lindo, no qual ele sentiria um canalha se traísse a confiança dela. Até em pensamento.

Não que ele não tinha desejos, mas ele soube controlar. Entregou-se no trabalho e nos problemas diários e se satisfazia vendo o seu patrimônio crescer.

Maldita hora que ele contratou uma morena linda que completara 18 anos. Cabelos cacheados, corpo definido, olhos de jabuticaba e um sorriso perfeito. Usava um vestido de chita e dançava com Boi-Bumbá as musiquinhas de roda. A saia rodava e os homens ficavam encantados com a sua beleza...Aquele fazendeiro que acabara de completar 55 anos, tinha o seu charme... Mas a vaidade sumiu com a sua vida, o seu amor incondicional à sua esposa e ao trabalho.

Quando chegou o tempo de colher o feijão, o velho fazendeiro entrou em sua ampla sala e sentou na cadeira de balanço. Seis meses se passaram... A morena entrou na sala e com um sorriso travesso perguntou se queria almoçar. Era assim todo dia. Olhares... Nos últimos meses um desejo louco por ela. Mas e a sua esposa? O amor que nutria por ela? Poderia amar outra? Mas logo essa moreninha, que tem idade para ser sua filha? Num domingo, o dia sagrado para aquele povo, o senhor fazendeiro (que agora se cuidava), esperou a moreninha entrar na sala e o chamar para o almoço.

Longe ouvia o povo cantando com o Boi-Bumbá que estava se aproximando da fazenda. O fazendeiro e a moreninha aos beijos, logo estavam na cama. Lá fora, o povo chamando a todos para verem a passagem do boi. Na fazenda, o fazendeiro beijava a moreninha e esta correspondia à sua paixão. O boi lá fora e um homem tomado pelo desejo na cama com a morena. Ele olha a porta de seu quarto e vê sua esposa. Chorando... Com uma rosa na mão. Sentiu um calafrio. Fez um gemido... E morreu. Morreu ao lado da morena que o chamava desesperadamente.

Foi encontrado morto na cama, de pijama. Coitado... Morreu dormindo.

No velório, todos conversavam e os pobres choravam. Perderam um grande padrinho. Os filhos chegaram da capital e não entendiam a morte súbita do pai. Quando o padre fez a última oração, a moreninha entrou na sala com uma rosa na mão. Colocou sobre as mãos do morto fazendeiro e beijou a sua testa.

Tampou-se o caixão e a morena saiu correndo pela fazenda chorando... Chorou até ver o Boi-Bumbá pelas estradas de terra... O seu vestido rodava, ela sorria e os homens a desejavam...

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