quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A garçonete feia

Ambrósio estava descontente com as mulheres e com o amor. Havia perdido a sua grande paixão e decidiu que não se apaixonaria mais. Até o restaurante ele mudou para não ver mais a ex-namorada. Na hora do almoço, Ambrósio colocava o seu guarda-chuva debaixo do braço ( e era inverno) e ia ao restaurante comer a mesma comida de sempre. Arroz, feijão, carne e folhinhas de alface.

Já sentado na mesa e apreciando a comida do meio de expediente, aproximou-se uma garçonete que ele nunca vira ali. Alta, magra, cabelos amarrados e mal arrumados. Pinta no nariz (grande) e feia. Sim, Ambrósio achava a pobre garçonete feia. Parecia a Olivia Palito. E ele não estava a fim de ser Popeye...  

Passaram-se os dias e Ambrósio começara a notar que a feia garçonete sempre o tratava com mais atenção. Sorrisos, cumprimentos e mais sorrisos... Um dia ela estava tão feia, que Ambrósio perdeu o apetite.  Depois, ela começou a puxar papo. Conversa besta, dizia Ambrósio, na hora do almoço. Como ele estava odiando esta garçonete e as mulheres...

Um dia não deu papo à feia e fez de tudo para que uma outra garçonete moreninha lhe atendesse. Em vão, lá veio à garçonete feia e seca feito uma vara verde lhe atender. Ambrósio nunca foi um ícone da beleza, mas sempre quis ter ao seu lado mulheres belas e sensuais. Beleza ele não tinha, mas dinheiro caia do bolso.  Ele comprou todas elas. E sempre foi enganado por todas elas. Ambrósio distribuía carros, roupas, jóias, perfumes em troca de uma noite de sexo ardente. Ambrósio desfilava em sua BMW e sua feiúra e antipatia ao amor eram ofuscadas pelo barulho do carro.

Um dia Ambrósio foi almoçar e a feia garçonete não foi lhe atender. Estava conversando com um rapaz mais jovem e bonito e este lhe dando atenção e correspondendo as investidas e as conversas. Ambrósio, então, sentiu um ciúme terrível. Ciúme? Nos outros dias, a garçonete feia continuava a ignorá-lo e atendia ao belo rapaz. Ambrósio não tirava mais a garçonete da cabeça. Sentia falta da ternura, educação, bom humor e dedicação dela. Chorava vendo filmes românticos, ouvindo Wando e lendo romances...

Sim... Ambrósio não se deu conta que estava apaixonado pela feia garçonete. Nunca sentiu aquilo. E não comprou para ter aquele sentimento. Veio de mansinho, invadindo o seu coração. Um dia, chegou ao restaurante com flores na mão. Viu a garçonete feia atendendo um freguês e foi em sua direção. Ele olhou para ela e entregou as flores. A garçonete feia sorriu... Ambrósio voltou para a sua mesa. Havia visto em seu dedo uma aliança de compromisso. Assim que saiu do restaurante, o belo rapaz entrou no estabelecimento e chamou a garçonete feia. Ela veio sorridente e se beijaram. Recebeu dele uma linda rosa, enquanto ela jogava no chão as flores de Ambrósio.

4 comentários:

  1. Amor: se não deixamos a janela de nossa alma aberta, o perdemos.
    Lindo texto, Alexandre!
    Parabéns!!

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  2. Coitado do Ambrósio! Ele terá uma outra chance? Gostei do conto!

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  3. Se Ambrósio começar a ver as mulheres com outros olhos, ele terá muita chance. Obrigado! Abraços!

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