sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Onde está o dinheiro? Último Capítulo

Tereza Castanhas despediu de Mário. Ele abriu a porta do escritório e perguntou a ela:
- Você vai levar a sua filha ao aeroporto?
- Não. Ela vai de Táxi.
- Pois meu faro de detetive não me engana... Nós vamos até lá. No caminho eu te explico.
                                  ***
Linda pediu à empregada que pegasse a mala e, mais uma vez, respondeu ao noivo que precisava sair um pouco daquela mansão. Precisava viver o seu luto. Silas não acreditava. Pediu que a levasse, ela já tinha pedido um táxi. O mordomo Tonho gritou pela menina. O táxi havia chegado.
Ela se foi e deu um beijo no rosto do noivo. Menezes, atrás do Silas, deu um tchau com a mão e disse:
- Sentirei falta dela.
- Você ainda aí... o Pangaré?
Menezes não pensou duas vezes e deu um murro no Silas e este caiu no chão. A arma voou longe e Menezes a pegou. Apontando para o Silas, perguntou:
- Onde está o santo oco? Eu sei que você está com ele.
                                                         ***
Quando Lucas chegou ao aeroporto, ele viu Linda esperando por ele em uma loja de livro. Estava com uma única mala.
- Meu amor, cadê a sua mãe?
- Eu menti.
- Como?
- Inventei aquela história para você ter coragem de fugir comigo.
- O que?!
- Eu sei que era isso que você queria...
Linda fica tonta e repara a sua mãe em frente à loja. Ela e o Detetive Mário.
- Mãe?
- Filha como pôde nos roubar? E ainda tem um cúmplice!
Mário sorri. No dia do velório, ele tinha visto a menina com aquele rapaz no portão da mansão.
- Tereza, quando você disse que a sua filha ia viajar, logo eu pensei que ela poderia estar indo com o namoradinho. O romance proibido.

Linda olhou para mãe.
E Mário continuava.
- Assim que eles se despediram e Linda entrou de novo para a mansão, vi o mordomo Tonho atravessando o jardim com um embrulho e entregando para o Lucas...

                                         ***
Menezes seguiu Silas até o seu apartamento de alto luxo. Aproximou-se do seu cofre no escritório e o abriu, tirando a caixa do cofre.
- Abra, Menezes.
Menezes olhou desconfiado para o Silas e abriu a caixa.
-  Hum... Calcinhas... Você é traveco! Bem que eu desconfiava...
- Não idiota... É a minha coleção de calcinhas. Faço coleções ta... É a última moda em Milão... Você estragou tudo seu... seu....
- Fica triste não, são lindas...Olha essa rosinha aqui...

                                            ***
Mário apontou a arma para o Lucas e pediu que abrisse a mala.
Lucas suava frio. Abriu a mala e lá tinha um embrulho.
- Tereza, pegue este embrulho. Ele é seu.
Tereza Castanhas pegou o embrulho e abriu. Era o São José de prata oco. Dentro dele todas as informações da conta onde estava toda a fortuna da família. Lucas começa a ri e dar gargalhadas, enquanto explicava:
- O estúpido do seu marido, Tereza, morreu na hora errada. O filho da mãe acreditava que eu era o seu filho bastardo. Ia dar um belo golpe. Ele teve um caso com a minha mãe e achou que eu era o seu filho. Disse que éramos parecidos. Mas nunca fui filho desse estúpido. – Olhou para Linda, chorando - Maldita hora que me apaixonei pela minha falsa irmãzinha. Queria ela do meu lado... Já o meu “paipaizinho” queria investir em mim e fugir do Brasil. Eu seria o seu único herdeiro. Mas tive pena e tesão por Linda... Queria tê-la. O velho deu-me esse papel com o número da conta, que ele tinha acabado de abrir no exterior, para começar a ajeitar as coisas no exterior. Ele queria sumir da família com toda a fortuna. Mas o velho descobriu tudo antes de morrer e me pediu o papel de volta. Disse que escondera em um local apropriado e se ele abrisse o bico, eu contaria a Tereza que ele teve um amante. E mais... se me mandasse me seguir ou me matar, ele não veria o número da conta nunca mais.
Tereza continuou:
- Meu marido não confiava em mim, deve ter anotado a nova conta nesse papel e para não deixar rastros, deve ter feito uma única cópia.  Foi ai que ele notou a falta do santo e lembrou que ele era oco... Dois mais dois são quatro! Burro ele não era  e me perguntou onde estava, como eu não dei importância, ele disse que guardou a senha da conta no santo. Para não dizer que foi esse ladrãozinho.  Fiquei nervosa e procuramos por toda a parte. Ai ele teve um enfarto e morreu.
Lucas riu.
- Eu havia escondido o santo na sua casa, retardada. Aproveitei o velório para pegá-lo, já que ninguém ia notar meus passos com o defunto fresco na sala.
- Por que num santo? – perguntou Mário
- Eu tinha que sumir com esse papel valioso, mas não podia destruí-lo. Era muito arriscado deixar esse papel a solta e em qualquer lugar. Maldito dia que estava com aquela bermuda sem bolso... Eu não podia andar com ele em qualquer lugar e resolvi esconder dentro desse pequeno santo oco e levar para casa, até conseguir sair daqui com a Linda.  No dia do velório, fiz o mordomo me dar cobertura, ia ter a sua grana.
Linda olhava incrédula para o homem  por quem ela estava apaixonado. Não acreditava no que ouvia.
Lucas continuou:
- Aposto que foi o dedo-duro do mordomo que contou tudo para você, Mário...
- Não precisou Lucas. Não precisou.
Um carro de polícia chegou e Mário acenou com a mão. Estavam na livraria.
Linda aproximou-se da mãe.
- Meu vôo é daqui há pouco. Eu vou mãe... Agora mais do que nunca preciso dessa viagem.
Antes de ir para a sala de embarque, aproximou-se do Lucas (que já estava algemado) e deu um tapa no rosto do rapaz.
- Eu acreditei em você... Mas saiba que eu não perdi nada. Só adquiri experiência para não cair em outra história como essa... Agora você... Não se levanta nunca mais... Nunca mais.
                                     ***
Mário entrou em seu escritório e viu Menezes o esperando, enquanto tentava matar outra barata.
- Menezes, olha o nosso dindim neste cheque...
Menezes levanta de imediato e tropeça na cadeira e cai. Levanta-se e pega o cheque.
- Salvou as nossas vidas...
- Menezes, vamos depositar logo no banco, antes que ele vá parar em um santo oco.
- Ou numa caixa com calcinhas...
- Como?
- Mário, no caminho eu te explico...

                                                F I M

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