quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

QUEM CONTA UM CONTO, AUMENTA UM PONTO

Meus amigos, esta história que vou contar aconteceu lá pras bandas de Piranga... O homem que morreu, mas não morreu. Como assim? Vou-lhes contar... Eis que Munivaldo, homem rico da região e dono da única padaria da cidade, abria todo santo dia o seu estabelecimento e atendia a todos com muito gosto. Podia chover canivete que Munivaldo estava em sua padaria com os pães quentinhos.  Só respeitava os dias santos, pois era muito religioso, e não abria a padaria.
Mas uma data apareceu em sua vida e Munivaldo teve que respeitar. A formatura do seu filhão no colegial. Foram mortos dois porcos e vinte galinhas, além de muito feijão tropeiro. Era festa para cidade toda! Mas antes, Munivaldo e sua família tinham que ir a cidade vizinha, onde seria a formatura do primogênito. Ele e sua esposa foram primeiro e deixou o outro filho fechar a padaria no início da tarde.  O jovem fechou a porta e não colocou nenhum aviso... Eis, que isso deu pano para manga.
Munivaldo e sua esposa já estavam na outra cidade e seu filho, que fechara a padaria, saiu de casa para pegar o primeiro ônibus e ir ao encontro da família. Quando este assustou, um bêbado perguntou por que a padaria estava fechada. Aqui nunca acontecera antes. O jovem respondeu com pressa:
- O Pai ...
Eita, que o bêbado não esperou o menino terminar a frase e ficou doido! Cantou pra cidade toda que Munivaldo tinha morrido. O povo se juntou em frente à padaria em busca de alguma notícia. Logo o Munivaldo, homem bão, trabalhador, dono da única padaria, foi até vereador... Morreu de quê? Onde seria o enterro? E a família? O primo de Munivaldo ligava para o celular do morto e este não atendia. Liga para o celular dos filhos e não atendiam. 
A notícia, a cada esquina, ganhava uma versão. Munivaldo morreu de emoção, pois o filho estava formando... Foi picado por uma cobra, enfartou quando viu todos os 200 pães da manhã queimados... Morreu dormindo, enquanto dava um cochilo depois do almoço.
Eita que o povo já rezava o terço em frente à padaria, enquanto esperavam notícia. Até que o primo do morto conseguiu falar com o filho mais novo que já estava na Igreja, na formatura do irmão.
- Como você está? – perguntou o primo.
- Tô bem... Estamos muito emocionados.
- Ficam calmos... Deus conforta.
- Como?
- E seu pai?
- Está aqui do meu lado...
- Entendo, mas é só o corpo. Ele está com Deus, na paz eterna...
- Como?
- E sua mãe?
- Muito emocionada...
- Pudera, viúva tão nova!
- Ô primo... Que conversa é essa? Quer falar com meu pai?
- Meu filho eu sou católico, não sou espírita...
O menino passou o telefone para Munivaldo.
- Ô primo! Você não vem?
- Não, tô muito novo... Munivaldo!
Quando Munivaldo explicou onde estava, o primo caiu na gargalhada.  Quando Munivaldo soube a notícia que se alastrava em Piranga, ele caiu na gargalhada. Enquanto, a cerimônia não começava, Munivaldo enxugava as lágrimas de tanto gargalhar. O primo foi até a multidão, que estavam rezando em frente à padaria, gritou:
- Parem de rezar pro homem! Ele está mais vivo que nóis tudo aqui.
E explicou toda a história... Aliviados, todos voltaram para casa. E o bêbado gritava nos quatro cantos de Piranga: “Milagre, Munivaldo ressuscitou! Glória a Deus!”.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

QUANDO O PODER SOBE A CABEÇA

O poder, realmente, não pode ser conquistada por algumas pessoas. È um perigo. É o início do reinado da solidão e do autoritarismo. E isso acontece com indivíduos que atingem as primeiras hierarquias de uma grande empresa, do poder público e até mesmo de lojas de grande e pequeno porte.

Semana passada, eu presenciei um ego inflamado e um autoritarismo com a arrogância de um rei nu. Em uma grande loja de esportes do principal e mais antigo shopping de Belo Horizonte, estava com meu irmão fazendo uma pequena compra. Um grupo de vendedores estava conversando animadamente, já que tinham poucos clientes na loja. Eis, que levo um susto com o gerente  gritando com os jovens: “ Ei, vocês” Que isso! Tem um no celular, outro no computador. Se não tem clientes, vão para o almoxarifado arrumar caixas!”.

Falou de uma maneira mal educada perto dos clientes que visitavam ou compravam na loja. O que era pior? Presenciarmos jovens conversando alegremente, enquanto esperavam por clientes, ou ver uma bronca de um gerente? Perguntei a um vendedor, como era feito o pagamento naquela loja. Eles ganham por comissão. Não tem salário fixo. Ora, então, o que eles fariam em um almoxarifado?

Já no caixa, uma simpática moça tira uma lata de refrigerante para beber. Foi rápida, não me incomodou. Mas o gerente estava lá e gritou, mais uma vez: “ O que é isso?”. A menina, coitada, quase engasgou com o refrigerante e me pediu desculpas. Ora, não foi nada. O pior pensei comigo, foi a grosseria daquele gerente.  Este, depois da bronca, colocou a mão no bolso e foi verificar o que os rapazes estavam fazendo. Deu um olhar fulminante em um e este só não caiu morto no meio da loja, pois o seu santo era muito forte.

Está certo que disciplina é necessário em qualquer lugar de trabalho, mas o autoritarismo e a falta de respeito com os vendedores e clientes (que presenciam cenas como estas) devem ser levados em consideração. Um sorriso no rosto e um toque no ombro do vendedor seria muito mais útil e educado: “Aqui, vamos falar baixo... Tem clientes na loja”. Ou, depois, de uma maneira despistada. “Aqui, toma o refri quando não tiver atendendo, ok?”.

É isso que falta aos líderes. Capacidade de liderar. Formação cívica e generosidade nas palavras. E, principalmente, educação.

A MORENA E O BOI-BUMBÁ

Era o ano de 1950, um velho e conhecido fazendeiro de Piranga acabara de ficar viúvo. A dor que sentia de ver o seu grande amor ir embora, o deixava deprimido, sem vontade de andar pela sua fazenda e conduzir  o comando de sua vida. Conhecido por todos pela sua bondade e riqueza, distribuía a todos os pobres carinho e conforto. Não foi a toa que o funeral de sua esposa ficou cheio. Parece que a cidade estava ali em peso. Desde os pobres até os políticos e os mais influentes da cidade.

Viveu com a sua esposa durante 25 anos. Não tinha notícia em Piranga que ele o traia e nem mesmo ela... Hum... E nem podia! Ela esteve doente por muitos anos e foram anos que o velho fazendeiro dedicava a sua amada. Sempre com carinho e dedicação. Era um amor muito lindo, no qual ele sentiria um canalha se traísse a confiança dela. Até em pensamento.

Não que ele não tinha desejos, mas ele soube controlar. Entregou-se no trabalho e nos problemas diários e se satisfazia vendo o seu patrimônio crescer.

Maldita hora que ele contratou uma morena linda que completara 18 anos. Cabelos cacheados, corpo definido, olhos de jabuticaba e um sorriso perfeito. Usava um vestido de chita e dançava com Boi-Bumbá as musiquinhas de roda. A saia rodava e os homens ficavam encantados com a sua beleza...Aquele fazendeiro que acabara de complentar 55 anos, tinha o seu charme... Mas a vaidade sumiu com a sua vida, o seu amor incondicional à sua esposa e  ao trabalho.

Quando chegou o tempo de colher o feijão, o velho fazendeiro entrou em sua ampla sala e sentou na cadeira de balanço. Seis meses se passaram... A morena entrou na sala e com um sorriso travesso perguntou se queria almoçar. Era assim todo dia. Olhares... Nos últimos meses um desejo louco por ela. Mas e a sua esposa? O amor que nutria por ela? Poderia amar outra? Mas logo essa moreninha, que tem idade para ser sua filha? Num domingo, o dia sagrado para aquele povo, o senhor fazendeiro (que agora se cuidava), esperou a moreninha entrar na sala e o chamar para o almoço.

Longe ouvia o povo cantando com o Boi-Bumbá que estava se aproximando da fazenda. O fazendeiro e a moreninha aos beijos, logo estavam na cama. Lá fora, o povo chamando a todos para verem a passagem do boi. Na fazenda, o fazendeiro beijava a moreninha e esta correspondia à sua paixão. O boi lá fora e um homem tomado pelo desejo na cama com a morena. Ele olha a porta de seu quarto e vê sua esposa. Chorando... Com uma rosa na mão. Sentiu um calafrio. Fez um gemido... E morreu. Morreu ao lado da morena que o chamava desesperadamente.

Foi encontrado morto na cama, de pijama. Coitado... Morreu dormindo.

No velório, todos conversavam e os pobres choravam. Perderam um grande padrinho. Os filhos chegaram da capital e não entendiam a morte súbita do pai. Quando o padre fez a última oração, a moreninha entrou na sala com uma rosa na mão. Colocou sobre as mãos do morto fazendeiro e beijou a sua testa.
Tampou-se o caixão e a morena saiu correndo pela fazenda chorando... Chorou até ver o Boi-Bumbá pelas estradas de terra... O seu vestido rodava, ela sorria e os homens a desejavam...

QUANDO O CRISTAL SE QUEBRA...

Genisclelto nunca amou na vida. E nem sentia falta. Quando entrou na adolescência fugia das meninas como fugia da cruz. Não, ele não era gay. Ele apenas temia ser dispensando pelas belas morenas, belas loiras e belas ruivas que ele tanto desejava. Já com seus dezoito anos, na flor da juventude e no ímpeto de amar, começou a se apaixonar. Porém, ele se apaixonava pelas meninas que nunca o olharam. E ele sabia disso. Na verdade, Genisclelto amava justamente a menina que ele não teria nenhuma chance. Justamente para não vivenciar um grande e forte amor. O verdadeiro namoro.

Os anos foram passados e Genisclelto se recusava a amar e gostar de alguém. Quando sabia que alguma jovem a desejava, ele não dava nenhuma chance para que eles pudessem se conhecer melhor. Ele ignorava e achava mil defeitos na moça. Era muito magra ou muito gorda. Era muito baixa ou muito alta. Tinha cabelo curto ou tinha cabelos longos. Enfim, Genisclelto queria viver a sua vidinha. Não queria compartilhar ela com ninguém.

Até que um dia, Genisclelto entrava no prédio da faculdade e esbarrou em uma bela moça. Ela sorriu, pediu mil desculpas. Ele, o mesmo. O refrigerante da moça tinha caído no chão e ele se propôs a comprar outro para ela. A bela moça aceitou e os dois sentaram em uma mesa na cantina da faculdade e iniciaram uma gostosa conversa. Genisclelto contava sobre os seus estudos, seus hobbies e de sua vida. E ela o mesmo. Tinham muitas coisas em comum. Empolgaram-se na conversa e quando perceberam, perderam o primeiro horário da aula.

Assim, todo dia eles se encontravam e conversavam muito. Genisclelto percebeu que o primeiro beijo logo sairia. E agora? Como seria esse beijo. Tantas vezes, como um adolescente, treinava um beijo falso em um copo cheio de pedras de gelo. Mas como isso estava mudando a sua vida. Assim, durante uma sessão de cinema, o primeiro beijo saiu. E Genisclelto se sentiu nas nuvens. Iniciaram um namoro.

Logo a bela moça estava freqüentando a casa do Genisclelto, estudavam juntos, faziam vários passeios. Genisclelto foi à casa da bela moça pediu o pai dela em namoro. Três meses se passaram  e a primeira noite de amor era inevitável. E até nisso os dois tinham em comum. Eram virgens. Ele fez questão de pagar um motel e a noite foi maravilhosa. Genisclelto estava apaixonado e ela também. E era um amor sem ciúmes, sem cobranças e com muito respeito. Resolveram construir juntos uma mesma vida. Genisclelto nunca imaginou que teria ao seu lado uma mulher tão especial.

Noivaram e marcaram o casamento para o próximo ano, Genisclelto estava juntando dinheiro para comprar o apartamento.   Um mês antes do casamento, os amigos de Genisclelto o chamaram para uma saída de despedida. Iriam a um bar e conversar. Colocar o papo em dia. Até que um deles percebeu que uma mulher olhava atentamente o Genisclelto e chamou atenção do amigo. Genisclelto não queria saber de confusão. Amava muito a sua noiva. “Que bobagem, é só um sexo casual... Depois que você casar esta vida vai acabar”. Genisclelto ficou balançado. Também, nunca teve outra mulher na vida. E a vontade de ter outras no seu “currículo” o encorajou. Aceitou...
Genisclelto amanheceu com a mulher ao seu lado e uma sensação ruim. Não a queria ali. Queria estar distante de tudo aquilo. Ele levantou correndo e não deixou a moça acordar. Retirou-se da casa dela e não sabia para onde ir. O celular dele toca e era a sua noiva. Um pânico invadiu a sua alma, como pôde trair a mulher que tanto amava. Como pôde deixar que uma única noite acabasse com tantos anos de respeito, companheirismo e muito amor.  Genisclelto não teve coragem de atender ao telefone. Encostou o carro em uma praça e sentou-se em um banco. Começou a chorar. Como iria olhar para a sua noiva? Como iria beijá-la? Como iria tocá-la? Como iria dizer em seus olhos que a amava tanto? Como iria dizer que a respeitava? Calafrios, suores, tremores... Genisclelto tinha acabado com o seu noivado, tinha perdido a mulher de sua vida. Mas era só não contar... Simples assim? Não, a consciência de Genisclelto não o deixaria em paz. Contar a verdade... Dizer que só foi uma transa e nada mais? Iria perdê-la. Com certeza. Genisclelto se sentiu em uma rua sem saída. Nada a fazer a não ser lamentar.

O celular toca novamente e ele resolve atender. Era a sua noiva novamente. A sua futura esposa que iria construir a sua vida e ter lindos filhos. Genisclelto colocou o celular no ouvido e ouviu a voz suave de sua noiva. E, também, sentiu alguém puxando o celular. Genisclelto se levantou e tentou correr atrás do ladrão, mas o jovem drogado deu três tiros no peito de Genisclelto e este caiu lentamente no chão da praça.  Pessoas se aglomeravam a sua volta e Genisclelto chorava. Chorava, não por estar morrendo, mas chorava por ter traído a confiança de sua noiva. O cristal quando se quebra, a magia e a beleza vão embora. Quando a ambulância chegou, Genisclelto estava morto. Genisclelto também se quebrou, a sua beleza e a sua magia não voltariam mais... Mas para a sua noiva, Genisclelto seria para sempre o seu grande e verdadeiro amor. Para sempre...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O JORNALISTA E A "ROSA DA NOITE"

Era o primeiro dia de trabalho no famoso jornal de sua cidade. Há seis meses, Maurílio tinha formado em jornalismo, depois de anos de sacrifício. Em um curso que duraria quatro anos, ele fez em sete anos. Quantas vezes parou o curso por falta de dinheiro. Mas, graças a Deus, formou. Estava com seu diploma na mão.

Maurílio ficou seis meses distribuindo o seu currículo. Experiência tinha, afinal, fez vários estágios e vivia publicando artigos, matérias e contos em sites, nos jornais e no seu blog. Mas, finalmente, conseguiu o seu primeiro emprego como jornalista.

Animado chegou a redação e o seu chefe o chamou. Sim! Era a sua primeira pauta. A sua primeira matéria. Sentou em frente ao editor-chefe e este com um sorriso nos lábios, entregou-lhe a pauta. O espanto do Maurílio não deixou de ser notado. Iria fazer uma matéria sobre a mais velha profissão do mundo: a prostituição. E tinha um agravante: depois que seus clientes transavam com a Rosa da Noite, eles pagavam o programa e desapareciam. Nenhum deles foi achado até hoje.

Rosa da Noite era a mais linda prostituta que tinha naquela cidade e que colocava Hilda Furacão no chinelo. Só recebia empresários, políticos e milionários.

Enfim, a Rosa da Noite resolveu dar entrevista exclusiva ao jornal e quem iria fazer a matéria? O Maurílio...

No local combinado, em um velho bar no centro da cidade, Maurílio encontrou com a tal mulher. Caderno na mão e mãos trêmulas. Sentaram e ele iniciou a entrevista. Uma, duas, três... oito bebidas. Cerveja, conhaque e outras bebidas. Os dois já riam e o Maurílio foi se envolvendo com a bela prostituta. Quando percebeu já estava na cama e os dois transavam como dois amantes. Loucos de desejo. Maurílio nunca tinha transado daquela maneira. E foi diversas vezes. Economizou mil reais, pois era o preço que ela cobrava. E, finalmente, Maurílio descobriu o grande mistério. Ela confessou: os homens se apaixonavam por ela e esta os dispensavam. Os homens, loucos de paixão, largavam à vida, o trabalho, a família. Depois daquela noite, eles não encontrariam nenhum prazer na vida mais. Então, os carentes de amor seguiam a vida religiosa...Viraram semeadores do amor, paz e união.

Maurílio teve a notícia na capa e foi a sua consagração. À noite, ao voltar do serviço, a linda prostituta estava lhe esperando. Mas ele não a queria. Ela, então, desapareceu e nunca mais o povo daquela cidade ouviu falar de Rosa da Noite. E Maurílio guardava este grande segredo. Foi o único amor da vida dela.