quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O JORNALISTA E A "ROSA DA NOITE"

Era o primeiro dia de trabalho no famoso jornal de sua cidade. Há seis meses, Maurílio tinha formado em jornalismo, depois de anos de sacrifício. Em um curso que duraria quatro anos, ele fez em sete anos. Quantas vezes parou o curso por falta de dinheiro. Mas, graças a Deus, formou. Estava com seu diploma na mão.

Maurílio ficou seis meses distribuindo o seu currículo. Experiência tinha, afinal, fez vários estágios e vivia publicando artigos, matérias e contos em sites, nos jornais e no seu blog. Mas, finalmente, conseguiu o seu primeiro emprego como jornalista.

Animado chegou a redação e o seu chefe o chamou. Sim! Era a sua primeira pauta. A sua primeira matéria. Sentou em frente ao editor-chefe e este com um sorriso nos lábios, entregou-lhe a pauta. O espanto do Maurílio não deixou de ser notado. Iria fazer uma matéria sobre a mais velha profissão do mundo: a prostituição. E tinha um agravante: depois que seus clientes transavam com a Rosa da Noite, eles pagavam o programa e desapareciam. Nenhum deles foi achado até hoje.

Rosa da Noite era a mais linda prostituta que tinha naquela cidade e que colocava Hilda Furacão no chinelo. Só recebia empresários, políticos e milionários.

Enfim, a Rosa da Noite resolveu dar entrevista exclusiva ao jornal e quem iria fazer a matéria? O Maurílio...

No local combinado, em um velho bar no centro da cidade, Maurílio encontrou com a tal mulher. Caderno na mão e mãos trêmulas. Sentaram e ele iniciou a entrevista. Uma, duas, três... oito bebidas. Cerveja, conhaque e outras bebidas. Os dois já riam e o Maurílio foi se envolvendo com a bela prostituta. Quando percebeu já estava na cama e os dois transavam como dois amantes. Loucos de desejo. Maurílio nunca tinha transado daquela maneira. E foi diversas vezes. Economizou mil reais, pois era o preço que ela cobrava. E, finalmente, Maurílio descobriu o grande mistério. Ela confessou: os homens se apaixonavam por ela e esta os dispensavam. Os homens, loucos de paixão, largavam à vida, o trabalho, a família. Depois daquela noite, eles não encontrariam nenhum prazer na vida mais. Então, os carentes de amor seguiam a vida religiosa...Viraram semeadores do amor, paz e união.

Maurílio teve a notícia na capa e foi a sua consagração. À noite, ao voltar do serviço, a linda prostituta estava lhe esperando. Mas ele não a queria. Ela, então, desapareceu e nunca mais o povo daquela cidade ouviu falar de Rosa da Noite. E Maurílio guardava este grande segredo. Foi o único amor da vida dela.

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