quinta-feira, 7 de abril de 2011

Caminhar contra o vento: mescla a inocência e os desafios da juventude


O jornalista e escritor Alexandre Lana Lins aceitou fazer essa rápida entrevista pelo Skype. A tecnologia nos ajudando.  Li o livro “Caminhar Contra o Vento” e queria bater um papo com o seu criador. Li a história em um dia e me envolvi com cada personagem e seus dramas. Apesar de parecer um romance leve, a história nos leva para uma abordagem cada vez mais tensa, que é notícia no nosso dia-dia. Enfim, como o próprio autor define, “Caminhar Contra o Vento” , pode ser o estímulo à leitura para muitos jovens.

Confira a entrevista!

Paula Adriane
Estudante de Jornalismo.


1)      Como surgiu o “Caminhar Contra o Vento?”

Desde pequeno escrevo, sempre gostei de escrever.  Aos 16 anos, queria colocar no papel um pouco do que eu vivi e senti no início da minha adolescência. Então, escrevi o Caminhar. Já com 31 anos, resolvi reescrevê-lo pimentando a história com um romance policial.  Além desse tema, acrescentei a história do Reginaldo com o Transtorno do Pânico e do universo gay. Os preconceitos e como os jovens, hoje, vivem com seus amigos gays. Acho que Caminhar foi uma mistura dos anos 90, com os anos 2010. E com pitadas dos anos 80. O livro é um grande universo, com várias histórias e várias discussões. Poderia ter rendido dois ou três livros, se a narrativa fosse mais aprofundada.

2)      Por isso a narrativa corrida?

Tenho pressa para escrever. As ideias veem e as coloco rápido no papel. Na hora de revisar, mudo pouca coisa. Não quero atrapalhar e interferir no que a minha imaginação me preparou.  Caminhar é uma leitura fácil e rápida. É lido em uma sentada, claro, se o leitor gostar da história.  Não espero que Caminhar seja o livro marcante da vida dos jovens, mas que seja a iniciativa para outras leituras.

3)      O que realmente mudou no Caminhar dos seus 16 anos e dos seus 31 anos?

A maneira de ver o mundo, lógico. Estou mais velho e minha escrita amadureceu um pouco. A história ficou mais dramática, mas não perdeu a suavidade de um olhar adolescente. Além disso, me propus a discutir temas profundos, sem perder a essência da história original. O Caminhar dos meus 16 anos está nitidamente exposto, ao contrário do Caminhar que surgiu agora, que ainda está muito tímido.

4)      Como assim?

Temas como a homossexualidade e Transtorno do Pânico foram discutidos levemente.  Foram complementos de uma narrativa em torno dos jovens e suas descobertas.  Não foram os temas principais do livro, mas também não foram meramente jogadas.  No entanto, a inocência da narrativa de 1993 sobressaiu.

5)      Por que você seguiu esse caminho?

Não queria que o Caminhar se tornasse um livro denso. Tanto que o humor está a todo o momento presente.  Temos o gay estereotipado com a interpretação do André, mas temos o gay sensível, romântico, amigo. Aquele que a turma descobre no decorrer da trama. No livro tem essa linha tênue, entre o exagero, a comicidade e o real. Se é que dá para trabalhar com o “real” num livro de ficção.

6)      Mas parece que a história de Reginaldo, com o Transtorno do Pânico, fugiu a essa regra...
Não tinha como falar do Transtorno do Pânico com humor. Reginaldo é um personagem sofrido.  O personagem gay, não... Ele aceitou bem a sua homossexualidade e queria ser feliz. Reginaldo não era feliz. Tinha pânico. Ele queria descobrir o porquê de seu transtorno, ao mesmo tempo, em que se apaixonava verdadeiramente pela primeira vez. 
7)      E a história policial? De onde veio?

Veio da primeira versão, em 1993, mas foi aprofundada com notícias do nosso dia-a-dia. A prostituição, as drogas estão nos jornais todo dia, infelizmente. Queria contar essa história, mas sem pesar na mão. Deu agilidade ao livro, apesar de ter ouvido que a história em si não precisava disso. Mas, no final, o próprio “romance” entendeu que era necessária essa abordagem para chegarmos a um desfecho.  Ela não ofusca outras tramas do livro. Apenas complementa.

8)      E o próximo livro?

Um romance juvenil para adulto. Narrativa mais tranqüila, apesar das ideias correrem no papel. Uma bela saga, que mistura o Brasil dos anos 50, 60 com a minha infância no interior nos anos 80. Estou escrevendo desde 2008. Quero terminar esse ano.

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