terça-feira, 27 de setembro de 2011

A Pousada de Dona Inhá-Inhá



Quando Dona Inhá-Inhá, uma simpática velhinha, viu as belas pousadas e os luxuosos hotéis chegando em Piranga, ela percebeu que logo perderia a sua clientela. Por mais que ela fosse uma agradável companhia, Dona Inhá-Inhá saberia que teria apenas as companhias dos cães e gatos na sua velha pousada.

Ah! Mas não pensou duas vezes antes de gastar seu dinheiro (economizado debaixo do colchão) para “levantar” a sua antiga pousada. E logo colocou na porta o anúncio:
Pousada de Dona Inhá-Inhá. Tradição de melhor preço. Agora com Piscina Aquecida, cama aquecida, Colchão quente, Sauna, Frigobar, café da manhã, almoço e jantar. TV, DVD e Som Ambiente. Tudo isso pelo mesmo preço camarada
.
Logo, um casal em Lua-de-mel, que chegara no inverno bravo de Piranga, se interessou pelo anúncio e pelo preço. Era o que podia pagar. Dona Inhá-Inhá contando as suas prosas e proezas, recebia o sinal e os levava para o quarto.

Um quarto limpo, porém muito humilde. Uma cama de casal de madeira antiga, dois cômodos, chão de tábua quebrada e um banheiro pequeno (no corredor). Isso tudo ficava invisível com a boa conversa da senhora.

Logo o casal resolveu tomar banho. O primeiro banho juntos. Um chuveiro elétrico, que ligava depois de várias pancadas, e aquele pingo delicioso frio entre as águas falhas e extremamente quentes. Depois, resolveram jantar. Uma mesinha no canto da cozinha e, junto com a Dona Inhá-Inhá, tomava o famoso caldo de mandioca. Como era gostoso.

O sono chegou e foram dormir. Antes, esquentar o colchão. Dona Inhá-Inhá veio com um ferro e ela ficou minutos passando no lençol lavado com sabão de coco. Cama quentinha, os pombinhos deitados. A cama tremeu a noite toda, enquanto Dona Inhá-Inhá dormia o sono dos justos.

Logo cedo, o sol quente que só Piranga tem o ano todo. Foram para a piscina. Um mergulho no tanquinho de 2 litros com água aquecida na velha chaleira de Dona Inhá-Inhá. Logo depois, o mesmo banheiro do corredor, todo fechado e com o chuveiro no quente, fizera aquele vapor de dar inveja aos melhores hotéis. Vem Dona Inhá-Inhá jogando essência de eucalipto e dizia sorridente... “Namorem bastante. È bom pra pele”.

E os dias foram passando. O almoço caseiro, o café de rapadura, o suco de limão no frigobar... Quero dizer na velha geladeira da cozinha. O bom programa de Sílvio Santos na TV (a única na sala). O DVD? Só passava os vídeos da família de Dona Inhá-Inhá. “Esse aqui é o meu tataraneto, olha como o bichinho é danado...”. E, antes de dormir, as pessoas que passavam pela porta da pousada, ouviam o “som ambiente”. Dona Inhá-Inhá e os recém-casados dançando um bom forró para esquentar a noite. 

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