quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Lavando as Lamas da República!

por Ronald L Peixoto.


Transcrevo a seguir texto parcial do histórico discurso de Rui Barbosa, o ilustre político e orador brasileiro, após a extinção do regime monárquico e a instauração do período republicano no Brasil, com a proclamação da República (15/11/1889), decepcionado com a corrupção e a demagogia já existentes no Brasil naquele tempo. 

“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”. (Rui Barbosa).                                          

Conheci este texto quando criança, fixado na mesa de trabalho de meu pai na cidade de Presidente Bernardes–MG. (então Calambau). Cresci. Ainda jovem, vi o nosso país caminhar para uma guerra civil e iminente confronto bélico, mas superar os momentos difíceis e tumultuosos nas décadas de 1960 e seguintes.

Pensava que tínhamos aprendido melhor as lições políticas, econômicas e sociais que vivenciamos. Mas as mazelas sociais e a demagogia continuaram.

E parece que o célebre discurso escrito após a instauração da república, há mais de cem anos, antevia a história.  

Contudo, o meu pai sempre nos transmitia a lição de que não se pode desanimar, é preciso participar, lutar sempre pelos nossos ideais.

E ainda hoje assistimos à triste realidade do quadro de corrupção que proliferou e se espalhou pelo nosso país, como lamas imorais e criminosas, tão danosas quanto às trágicas lamas de Mariana (MG).

Embora sejam inestimáveis as perdas humanas e os sofrimentos causados por erros, incompetências, má administração, falta e desvios dos recursos públicos, como pelos danos ao meio ambiente. Deve-se proporcionar todo o apoio possível, com a prioridade necessária, aos prejudicados. Além do reembolso ao erário público e à sociedade pelos prejuízos. 

Que se compense, então, com justa indenização moral e material às vítimas em cada caso.
  
Vemos assim, que realmente não se pode desistir e deve-se manter um incessante trabalho e luta pela moralidade e legalidade nas atividades públicas e privadas. A começar pela proteção da ética, o fortalecimento das instituições e da reforma política, ouvindo-se o povo “JÁ”. 

E devem ser defendidos a todo custo a honradez e o fundamental respeito ao povo, como titular maior que é do poder soberano, em uma verdadeira república, o estado de direito e a democracia. 

Como, essencialmente, sejam garantidas a “dignidade humana”, a “igualdade” e que pessoa alguma seja condenada sem o competente julgamento judicial; em devido processo legal e exercendo plenamente o consolidado direito à ampla defesa, para a legítima promoção da JUSTIÇA!