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Um dia de trabalho foi embora. Hora de chegar em casa, tomar aquele banho gostoso, fazer um lanche agradável. Conversar com a família assuntos amenos, pois bastam os problemas do dia. Todos se reúnem na frente da TV e assistem pedaços do jornal. Quem assisti um jornal inteiro é sadomasoquista. Políticos e suas cuecas com dinheiro, enchente, desastres, pobreza... Meu Deus! É muita tristeza! Ai vem ela: Viver a Vida. A novela mais assistida na TV brasileira. Claro que o elenco, em determinados momentos, salva a história de Manoel Carlos. A ótima interpretação de Aline Moraes, da Lília Cabral e dos personagens gêmeos. Mas a história não está salvando a novela. Metade de um capítulo se passa em um hospital ( não seria aquela série americana: Plantão Médico?). Nesta última semana, Helena faz um aborto espontâneo. É, a mimada Helena chora mais uma vez limpando o nariz na roupa. E pergunta: “ Eu tinha feito um aborto para continuar com a minha carreira de modelo, é por isso que abortei agora?”. Parece que Manoel Carlos está levando a sério demais a vida em uma teledramaturgia. A história se passa devagar, os problemas se arrastam e o chororô é demais. Pelo amor de Deus, quem agüenta tantas desgraças em uma história todos os dias? É bonita a história de superação que se pretende contar, mas vamos ser mais ágeis. Não queira que Viver a Vida seja um quadro sensacionalista dos programas de domingo. E mais: assistencialista. Os poucos momentos de alegria logo são camuflados com mais um litro de choro das personagens. Agora vem por aí separações, traições... Novela é entretenimento. A partir do momento que criou a regra de que esse programa deva ter “Marketing social”, a novela perde todo o seu valor de entreter. É como um livro que levasse a sério o romance que se proponha. As TVs devem fazer sim o tal “Marketing Social”, mas deve ter uma pequena dosagem nas novelas e criar programas específicos para isso. Não vamos ser demais politicamente corretos em uma teledramaturgia. Afinal, em uma rede de televisão há espaço para todos os tipos de assuntos e programas. Desde os simples programas de entretenimento até os mais sérios e didáticos.
Alexandre Lana Lins
Jornalista e escritor
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