BBB 10 é um lixo reciclado?

18/02/2010 (296 acessos)
 

Bom, eu prometi para mim mesmo que não escreveria uma linha para criticar sobre o Big Brother Brasil esse ano. Mas vou fazê-lo. Vou escrever sobre um programa no qual os intelectuais de plantão viram a cara e o povão adora. Intelectuais e povão... Essas denominações me cheiram a rótulos. A sociedade adora rotular tudo e a todos. Temos os gays, emos, intelectuais, inteligentes, ricos, pobres... E o ser humano?
Somos seres humanos em busca da felicidade e isso basta. E isso pude observar em todas as edições do Big Brother Brasil ( falem baixinho esse nome, para não decepcionar os acadêmicos). Desta vez, estou acompanhado mais o programa. Nunca fui fã do BBB e todos podem ler as minhas idéias sobre o reality show neste site, mas esse BBB me chamou atenção. Primeiro: o grupo é extremamente heterogêneo. Há os gays, os fortes, os bonitões, os cabeças... Ah! Os rótulos... eles estão ai.
Com esse grupo tão diferente, o BBB foi me prendendo ao analisar as ações de cada personagem inserida nesta narrativa escrita e dirigida por duas pessoas soberanas: o povo e a edição do programa. Como as personagens do BBB se preocupam em vestir máscaras em um primeiro momento para o público (povo) e como elas, na tentativa de ganhar o prêmio maior, resolvem gritar aos quatro cantos da casa: “agora o povo vai ver quem eu sou realmente!”. Claro, assim se a máscara não agradou, quem saber aquele “serzinho” que ficou atrás de tantos músculos e rótulos não agrada mais o povão?
Assistir o BBB pode ser um exercício prazeroso ou frustrante, ou mesmo irritante, quando não se tem um objetivo em mente. E qual seria o objetivo de assistir o BBB? Ora, cada um tem o seu. O importante é que independente de cada motivo, nós tenhamos consciência de que se trata de um reality show. Um programa puramente comercial. E que a TV está ganhando rios de dinheiro com a audiência dada. Bom, ver ou não ver... Eis a questão.
E voltando ao início deste texto, esse BBB me chamou atenção pelas personagens inseridas. Se tirarmos os rótulos desses integrantes da “Nave” chamada Big Brother e se tirarmos os nossos rótulos, podemos ver seres humanos com diversos medos e anseios. E com tanto pavor de perder o jogo ou não virar a celebridade instantânea e querida pelo povão, as personagens estão a todo o momento criando histórias dentro do programa. Histórias de amor, de ódio, de preconceito, de superação, de inteligência, de astúcia e de amor entre o mesmo sexo.
Gostar ou não gostar de um programa também nos fazem pensar sobre o produto. Entender porque tantos amam o Big Brother e porque tantos odeiam é insistir na rotulação? É uma idéia que proponho a pensar. Pois, se dizem que cada povo tem o governo que merece. Podemos afirmar que cada povo tem a TV que quer assistir. Como diz o Pedro Bial a uma eliminada do jogo, que considerava o programa um lixo: “Tenho a teoria de que você entrou achando que esse programa era um lixo e que você foi meio esnobe. Quando a gente acha que é um lixo, a gente tem que mexer nele, pois o lixo é reciclado, concorda?“ Concordamos?

Alexandre Lana Lins
Jornalista e escritor

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