Entre tantas coisas que marcaram a minha adolescência e juventude foi assistir Jô Soares nas madrugadas. Sim, pois, apesar de ser Jô 11:30, no SBT, o programa começava bem mais tarde. E isso não tirava o brilhantismo do programa e muito menos do Jô. Eu o assistia somente às sextas feiras, devido ao colégio que me fazia acordar cedo, e todos os dias quando as férias chegavam.

Foto: TV Globo

Lembro-me de um comercial no qual o locutor, entre diversas imagens de um bebê modelo, dizia que “como uma pessoa careca, sem dentes e que iria roubar a sua esposa” poderia lhe despertar tanto amor? Achei extremamente exagerado e não me comovia nem um pouquinho... Porém, alguns anos depois, o meu ponto de vista mudou radicalmente...


Estou convencido que depois da virada do ano, deveriam ter dois dias fora do calendário. Os dias "zero". Nesses dias todos deveriam ficar em casa, meditando, rezando, lendo bons livros, conversando com a família, ouvindo aquele CD que você não tirou do armário durante o ano todo.



Úmero resolveu contar a grande mentira da vida dele. Esta mentira seria a consagração das décadas em que viveu mentindo. Uma grande mentira que mobilizaria uma típica cidade do interior, onde viveu toda a sua vida. Úmero sempre mentiu. Aliás, nasceu mentindo. Ao invés de chorar, riu quando o médico lhe deu palmadas no bumbum. Era o sinal. Seria um grande zombador. Achava que a vida seria uma grande festa! No berço chorava de fome, mas quando a mamadeira era colocada em sua boca, ele ria. E como ria! Era mentira!



Animado chegou a redação e o seu chefe o chamou. Sim! Era a sua primeira pauta. A sua primeira matéria. Sentou-se em frente ao editor-chefe e este com um sorriso nos lábios, entregou-lhe a pauta. O espanto do Maurílio não deixou de ser notado. Iria fazer uma matéria sobre a mais velha profissão do mundo.


Rousvaldo era um brilhante jogador de futebol de sua cidade interiorana. Os outros clubes tinham inveja por não tê-lo e faziam ofertas incríveis. Chuteiras novas, conjunto de camisas sociais, sapatos, tênis, até chegar ao prêmio máximo: uma casa. Uma casa velha e abandonada. Mas era uma casa. Rousvaldo não aceitara. Era fiel ao seu clube de coração e ao Cruzeiro, time mineiro de coração.


Era o ano de 1950, um velho e conhecido fazendeiro de Piranga acabara de ficar viúvo. A dor que sentia de ver o seu grande amor ir embora, o deixava deprimido, sem vontade de andar pela sua fazenda e conduzir o comando de sua vida. Conhecido por todos pela sua bondade e riqueza, distribuía a todos os pobres carinho e conforto. Não foi a toa que o funeral de sua esposa ficou cheio. Parece que a cidade estava ali em peso. Desde os pobres até os políticos e os mais influentes da cidade.